The First Berserker Khazan revive o espírito dos clássicos soulslike
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Khazan não é herói. Também não é vilão. Ele é um homem traído, consumido pela fúria e armado até os dentes — pronto para cobrar o que lhe foi tirado com sangue.
The First Berserker Khazan é um daqueles jogos que não pedem licença. Ele te joga direto no fogo e espera que você aprenda rápido ou vire cinzas. Desenvolvido pela Neople, o título resgata a essência dos clássicos do gênero soulslike, mas acrescenta tempero próprio: parry afiado, armas que realmente mudam o combate e um universo que não está interessado em explicar nada — só em testar seus limites.
É desafiador, é pesado, e quando você vence, não há dúvidas: foi você quem mereceu.
Combate que exige técnica, não só força
The First Berserker Khazan é uma experiência que se distancia de lutas automáticas ou respostas fáceis. O combate gira em torno da precisão. Cada parry bem-sucedido, cada esquiva no último segundo, carrega uma sensação de mérito. Os inimigos não são simples barreiras — são desafios que precisam ser lidos, entendidos e superados com inteligência.
Não basta apertar botões. É preciso estudar padrões, aprender com os erros e se adaptar. O protagonista não é invencível, e essa fragilidade é parte essencial do charme. O jogador não sente apenas que venceu. Sente que sobreviveu. Esse é o tipo de recompensa que poucos jogos entregam com tanta consistência.
Variedade de estilos em um só personagem
O arsenal de Khazan não é apenas estético. Cada arma traz um estilo de jogo completamente diferente. A lança privilegia mobilidade e alcance. A espada e machado criam um equilíbrio entre ataque e defesa. A grande espada sacrifica velocidade por dano bruto, exigindo leitura de tempo e posicionamento cuidadoso.
O jogo estimula experimentação. As árvores de habilidades são amplas, mas não confusas. É possível adaptar o personagem ao seu jeito de jogar sem ficar preso a escolhas definitivas. Essa flexibilidade é bem-vinda e convida à rejogabilidade. Voltar a um chefe usando uma arma diferente transforma completamente a dinâmica do combate.
Um mundo sombrio e direto ao ponto
A ambientação não tenta reinventar a roda, mas executa com competência o que se propõe. Os cenários seguem uma linha mais linear, o que pode decepcionar quem espera exploração expansiva. No entanto, a progressão direta favorece o ritmo. Não há distrações. Cada caminho leva ao próximo desafio com cadência bem calculada.
O mundo é hostil. As cores frias, a arquitetura decadente e o silêncio entre batalhas criam uma atmosfera tensa. A trilha sonora acompanha essa escolha com discrição e impacto. Nada ali está para confortar. O universo parece conspirar contra você — e essa sensação é valiosa para o gênero.
História de vingança com doses precisas de drama
Khazan é um personagem traído, exilado e sedento por justiça. A narrativa acompanha seu retorno às origens e sua busca por respostas. A trama não tenta reinventar temas, mas os trata com seriedade. O enredo é funcional e o suficiente para dar peso às ações. Nada parece gratuito.
Os diálogos são enxutos, os eventos surgem em momentos pontuais, e a atuação de voz contribui para dar vida às emoções de um protagonista que fala pouco, mas diz muito com seus atos. A narrativa serve ao jogo, não o contrário. E isso, neste gênero, é sempre uma escolha acertada.
Dificuldade elevada, mas com escolhas inteligentes
O jogo é exigente. Chefes impiedosos, combos fatais e áreas repletas de armadilhas esperam por quem se arriscar. Mas há lógica nesse caos. Os padrões são claros, os sinais são justos. Quando você perde, sabe o motivo. Quando vence, sente que mereceu.
Para quem busca uma jornada menos implacável, há um modo alternativo. Ele reduz a dificuldade, mas desativa conquistas. Uma troca justa para quem quer curtir a jornada com menos pressão. A escolha de deixar essa opção disponível é inteligente, porque amplia o público sem diluir a experiência original.
Inimigos que punem descuido e exigem atenção
Os chefes são mais que esponjas de dano. Cada um exige uma abordagem distinta. Alguns forçam agressividade, outros cobram paciência. Há variedade nas mecânicas e criatividade nos visuais. Eles não se limitam a blocos de HP. São testes reais de adaptação.
Mesmo os inimigos comuns podem punir quem subestima. A IA é competente, reage bem e mantém o jogador atento. Andar distraído é convite para o fim. Isso reforça o valor de cada vitória e adiciona tensão até nos encontros aparentemente simples.
The First Berserker Khazan é um lembrete de que o gênero soulslike ainda tem espaço para evoluir. Ele não tenta reinventar a fórmula, mas refina seus elementos com um cuidado que poucos títulos demonstram. Combate justo, ambientação forte, narrativa funcional e opções acessíveis formam um pacote consistente.
Não é um jogo para todos, mas para quem gosta do gênero, é difícil pedir mais. E para quem está curioso, mas hesita pela dificuldade, vale dar uma chance — mesmo que seja só para sentir o peso de uma boa batalha vencida com as próprias mãos.
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Eu sou o Rafael, também conhecido como Peleh. Já vi de tudo no mundo dos games, por isso sou eu quem cuida das notícias e análises de games aqui no Steamaníacos!