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A Cherry anunciou dois teclados com switches TMR durante a CES. As novidades serão lançadas pela submarca Cherry XTRFY e prometem elevar a precisão e o desempenho dos periféricos da empresa. O modelo MX 8.2 Pro TMR é um teclado tenkeyless sem fio com troca de switches hot-swap, baixo consumo de energia e conectividade wireless de alta velocidade. Ele permite usar tanto switches magnéticos quanto mecânicos; com os MK Crystal Magnetic a entrada é linear e muito suave, com precisão de 0,01 mm e taxa de polling de até 8.000 Hz.
O MX 8.2 Pro TMR chega ao mercado em 29 de janeiro por cerca de R$ 1.300. A família vai ganhar em seguida o K5 Pro TMR, um 65% previsto para a primavera, que também terá os MK Crystal Magnetic e suporte a polling de até 8.000 Hz; o preço ainda não foi confirmado. Embora a tecnologia magnética não seja inédita — muitos periféricos já usam sensores Hall — o TMR entrega um nível maior de precisão, mas tende a ser mais caro. Há fabricantes que já oferecem teclados TMR no mercado, então a Cherry entra em um segmento que já tem alternativas.
Esses lançamentos chegam em um momento delicado para a Cherry: a empresa registrou uma perda próxima de R$ 120 milhões no fim do ano passado. Investir em teclados TMR pode ser uma forma de recuperar imagem e atrair quem busca performance, mas também é um movimento arriscado por ser mais caro. Ou seja, talvez a Cherry esteja optando por adaptar-se ao que já funciona no mercado em vez de seguir apenas soluções internas.
A Cherry registrou um prejuízo líquido de cerca de R$120 milhões entre janeiro e setembro de 2025, com receita total de aproximadamente R$426 milhões. Com isso, a empresa ficou com mais dívida do que patrimônio, o que deixou seu futuro incerto.
O maior risco recai sobre a divisão de periféricos. A Cherry está avaliando vender essa divisão — que reúne teclados e mouses — ou a divisão de Digital Health & Solutions. Em 2022, a Cherry havia comprado a Xtrfy para reforçar seu portfólio gamer. Agora, toda a área de periféricos pode ser vendida novamente.
A divisão de Componentes parece fora de risco imediato, então os famosos switches da Cherry continuam protegidos. Mesmo assim, a produção mudou. A fábrica de Auerbach, na Alemanha, vai virar um centro de serviço. A fabricação foi terceirizada para China e Eslováquia. A Cherry também perdeu vantagem competitiva depois que a patente dos switches expirou em 2014, e concorrentes passaram a oferecer alternativas com novidades como lubrificação de fábrica. A empresa demorou a investir em switches Hall, o que piorou sua posição num mercado gamer ainda fraco após a pandemia.
Se a divisão de periféricos for vendida, o novo dono provavelmente continuará a produzir teclados, mas não é certo se manterá os mesmos designs. Você vai esperar para ver quem compra a divisão ou pretende trocar seu teclado agora?