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Reap and Rush é um daqueles jogos que você começa pensando que vai jogar por alguns minutos e, quando percebe, já está tentando descobrir qual combinação de habilidades vai transformar seu personagem em uma máquina de destruir inimigos.

O conceito não é exatamente novo. Estamos falando de um action roguelike no estilo survivors, com hordas de inimigos, habilidades que vão sendo adquiridas durante a partida, evolução do personagem e progressão permanente entre as tentativas. Mas o jogo encontra uma maneira bastante própria de apresentar essa fórmula.

E boa parte disso vem de sua ambientação.

Em vez de simplesmente colocar o jogador em mais um cenário medieval genérico, Reap and Rush mergulha em uma versão fantástica do submundo baseada em elementos da mitologia chinesa. O jogador assume o papel de um emissário enviado para resolver o caos causado pelo desequilíbrio entre o mundo dos vivos e o submundo. O problema é que a reencarnação deixou de funcionar e Zhong Kui, seu chefe, desapareceu.

É uma premissa curiosa, e o jogo sabe aproveitar muito bem esse universo.

Uma das coisas que mais chama atenção é a arte

Reap and Rush é um jogo bonito.

A direção artística foi uma das primeiras coisas que me chamou atenção durante o gameplay. Os personagens possuem bastante personalidade e o visual mistura fantasia oriental, criaturas sobrenaturais e um estilo cartunesco que consegue ser engraçado sem destruir a atmosfera do submundo.

É uma combinação bastante peculiar.

Os inimigos também ajudam bastante nesse aspecto. Em vez de termos simplesmente centenas de criaturas praticamente iguais avançando em nossa direção, existe uma preocupação maior em criar inimigos visualmente distintos.

E isso acaba dando ao jogo uma identidade própria.

A fórmula de survivors continua funcionando

Se você já jogou jogos como Vampire Survivors, Halls of Torment, Magicraft ou Nordic Ashes, vai entender rapidamente o que Reap and Rush quer fazer.

Você entra em uma área, começa a enfrentar ondas de inimigos e vai coletando recursos enquanto tenta sobreviver.

Conforme avança, aparecem novas possibilidades de habilidades e melhorias. E é aqui que o jogo começa a ficar realmente interessante.

A graça não está apenas em ficar mais forte.

Está em descobrir uma combinação que funcione.

Uma habilidade pode complementar outra, determinados poderes podem criar uma sinergia inesperadamente poderosa e, conforme a partida avança, o personagem começa a se transformar completamente em relação ao que era nos primeiros minutos.

E essa é justamente a característica que faz esse tipo de jogo funcionar.

Você termina uma partida pensando que poderia ter feito algumas escolhas diferentes. Então começa outra.

E tenta de novo.

O combate é simples, mas fica cada vez mais caótico

A mecânica básica é fácil de entender.

Você movimenta o personagem enquanto as habilidades fazem o trabalho pesado. O objetivo é sobreviver às ondas de inimigos e escolher melhorias que façam sentido para a build que você está construindo.

No começo, tudo é relativamente controlado.

Depois, o inferno começa.

Literalmente.

A quantidade de inimigos aumenta, os efeitos começam a ocupar a tela e você passa a precisar prestar atenção não apenas nos inimigos, mas também nas áreas perigosas, projéteis e oportunidades de ataque.

Essa escalada de intensidade funciona muito bem.

Também existe um pequeno problema: quando a quantidade de efeitos e inimigos fica muito grande, pode ficar difícil enxergar exatamente o que está acontecendo. É praticamente um problema inerente ao gênero, mas poderia ser melhor administrado com opções para reduzir a opacidade dos efeitos.

O jogo tem uma progressão que dá vontade de continuar

Uma das coisas que mais gostei é que Reap and Rush não depende exclusivamente daquilo que você consegue fazer durante uma partida.

Existe uma progressão permanente, com novos personagens, melhorias e desbloqueios.

Isso é importante porque significa que mesmo uma tentativa que terminou mal ainda pode contribuir para a próxima.

É aquela velha fórmula:

“Dessa vez não deu. Mas agora eu desbloqueei isso. Então talvez na próxima…”

E pronto.

Você começa outra partida.

Porém, o personagem parece um pouco lento no começo. Não chega a ser algo que estrague a experiência, mas os primeiros minutos poderiam ser mais ágeis. Conforme você consegue melhorias de movimentação e outras habilidades, a sensação melhora.

É um daqueles problemas pequenos que podem fazer bastante diferença na primeira impressão.

O tutorial fala demais

Esse foi um dos pontos em que minha experiência foi mais crítica.

O tutorial tem texto demais. Inclusive uma das falas do personagem do jogo é reclamando da quantidade de texto.

Para um jogo cuja proposta é relativamente simples, algumas instruções poderiam ser apresentadas de maneira muito mais direta. Durante o gameplay, fiquei várias vezes com aquela sensação de:

“Tá, eu entendi. Deixa eu jogar.”

O jogo interrompe bastante a progressão inicial para explicar sistemas que poderiam ser apresentados naturalmente.

E isso é particularmente frustrante porque, quando você finalmente passa dessa parte, a experiência melhora bastante.

Reap and Rush fica mais interessante quando simplesmente deixa você jogar.

O desempenho no Legion Go merece atenção

Aqui está o ponto mais importante do meu teste.

Joguei Reap and Rush no Legion Go, utilizando o modo de desempenho, ventoinha no máximo e gamepad.

O desempenho ficou geralmente entre 40 e 60 FPS, mas encontrei vários momentos de stuttering.

O comportamento foi particularmente perceptível quando:

  • uma habilidade era utilizada pela primeira vez;
  • novos inimigos apareciam;
  • efeitos especiais eram carregados;
  • eu entrava em determinadas áreas;
  • aconteciam eventos mais intensos.

Durante o gameplay, inclusive, levantei a possibilidade de parte disso estar relacionada ao fato de o jogo estar instalado no cartão de memória, e não no SSD interno do Legion Go.

Não considero isso uma conclusão definitiva, principalmente porque o teste foi realizado em uma versão de pré-lançamento. Mas o problema existiu e foi perceptível.

Por isso, eu teria um pouco de cautela antes de dizer que Reap and Rush é perfeitamente otimizado para portáteis.

E a bateria?

Aqui tivemos uma surpresa menos agradável.

Comecei o teste com 95% de bateria. Depois de aproximadamente 15 minutos de gameplay, o Legion Go estava em 73%. Ou seja, foram consumidos cerca de 22 pontos percentuais em 15 minutos.

Mantendo exatamente esse ritmo, estamos falando de aproximadamente 1 hora e 10 minutos de autonomia total.

É claro que isso não deve ser interpretado como uma medição científica da duração da bateria — configurações gráficas, TDP, temperatura, brilho e outros fatores interferem bastante.

Mas é um indicativo importante.

Reap and Rush é um jogo que parece leve visualmente, mas no Legion Go estava exigindo bastante da GPU. Durante o teste, ela ficou em 100% praticamente o jogo todo.

Portanto, quem pretende jogar exclusivamente em um portátil provavelmente vai querer experimentar diferentes configurações gráficas e de TDP.

A trilha sonora combina com o jogo

Aqui a impressão foi melhor.

A trilha não é necessariamente o elemento que vai fazer você comprar Reap and Rush, mas combina bem com a proposta e ajuda a construir o clima do submundo.

É uma escolha adequada para um jogo em que a tela rapidamente fica cheia de inimigos e efeitos.

A falta do nosso idioma, no entanto, pesa contra. Reap and Rush não possui português do Brasil. E o jogo tem bastante texto, especialmente durante a introdução e explicação dos sistemas.

Isso significa que alguém que não domina inglês pode ter uma experiência consideravelmente pior, principalmente porque parte da graça está justamente em entender o funcionamento das habilidades, melhorias e progressão.

Não chega a ser um problema técnico do jogo, obviamente, mas é uma barreira importante para jogadores brasileiros.

Pequenos problemas ainda aparecem

Além do stuttering, encontrei outros sinais de que o jogo ainda poderia receber algum polimento.

Encontrei pequenos bugs, erros de texto e interface travada em alguns momentos. Nenhum deles parece ser suficiente para comprometer a experiência como um todo.

Mas, somados, deixam claro que ainda existe espaço para o jogo ser refinado.

Reap and Rush é melhor do que parece

Talvez essa seja a melhor maneira de resumir minha experiência.

Olhando rapidamente para Reap and Rush, pode parecer apenas mais um survivors-like.

E, tecnicamente, é exatamente isso.

Mas existe uma diferença importante entre um jogo simplesmente copiar uma fórmula e conseguir fazer essa fórmula funcionar.

Reap and Rush funciona.

A combinação entre a direção artística, os personagens, a ambientação baseada em mitologia chinesa, as possibilidades de builds e a progressão permanente faz com que exista personalidade aqui.

E isso é importante em um gênero que atualmente possui uma quantidade enorme de jogos.

Você precisa de alguma coisa que faça o jogador lembrar especificamente do seu jogo.

Reap and Rush encontrou essa coisa.

Vale o seu tempo

Reap and Rush é um action roguelike bastante divertido, bonito e surpreendentemente viciante.

Não é um jogo que vai revolucionar o gênero, mas também não precisa.

Sua maior qualidade está em pegar uma fórmula conhecida e colocar dentro de um universo visualmente muito interessante, com personagens carismáticos, bastante variedade de habilidades e uma progressão que realmente incentiva novas partidas.

Também fica a sensação de que uma localização em português faria bastante diferença para o público brasileiro.

No fim, Reap and Rush é exatamente o tipo de jogo que pode roubar algumas horas da sua vida sem você perceber.

Você entra para jogar uma partida. Quando percebe, já está pensando em qual build vai testar na próxima.

Jogos de RPG

HellSlave II: Judgment of the Archon é aquele tipo de RPG que parece ter sido feito para quem sente falta de uma época em que explorar masmorras, encontrar equipamentos melhores e desbloquear novas habilidades era suficiente para prender a atenção por horas. Desenvolvido pela Ars Goetia, o jogo mistura fantasia sombria, combate por turnos, personalização de personagens e uma boa dose de exploração em um universo que consegue ser familiar e, ao mesmo tempo, bastante estiloso.

O resultado é um RPG que não tenta reinventar completamente o gênero, mas encontra algumas maneiras interessantes de modernizar uma fórmula clássica.

E isso, para mim, é justamente uma das maiores qualidades de HellSlave II.

Uma mistura de Diablo com Senhor dos Anéis

A primeira coisa que chama a atenção é a direção artística.

HellSlave II tem uma identidade visual muito forte, com ilustrações desenhadas à mão, personagens exagerados e cenários dominados por uma fantasia medieval bastante sombria. A sensação que tive em vários momentos foi de estar diante de uma mistura curiosa entre Diablo e Senhor dos Anéis, especialmente pela maneira como o jogo trabalha criaturas, ruínas, ambientes decadentes e uma fantasia que parece estar constantemente à beira do fim do mundo.

A própria premissa ajuda bastante. O mundo foi destruído por milhares de anos de guerra entre seis lordes demoníacos e, diante do caos, os céus decidem enviar o Arconte do Julgamento para simplesmente acabar com tudo. A humanidade recebe uma última oportunidade: eliminar os demônios antes que o próprio mundo seja destruído.

É uma história propositalmente exagerada, mas funciona bem dentro da proposta.

Visualmente, o jogo também consegue fazer algo que considero importante em um RPG independente: ele parece barato apenas quando você olha para os números, não para a tela. Existe bastante personalidade em praticamente tudo que aparece.

Um RPG clássico com visual moderno

A estrutura de HellSlave II é bastante familiar.

Você explora o mundo, entra em masmorras, enfrenta inimigos, encontra equipamentos, aprende habilidades e vai construindo seu personagem aos poucos. É uma fórmula que lembra imediatamente os RPGs clássicos, embora aqui exista uma pegada muito mais sombria.

Durante minhas horas com o jogo, algumas situações me fizeram lembrar de Chrono Trigger e Final Fantasy, principalmente pela estrutura de progressão, pelo prazer de encontrar novos equipamentos e pela importância de habilidades e magias na construção do personagem.

Obviamente, HellSlave II está longe de ser um JRPG tradicional. A apresentação, o combate e a estrutura são completamente diferentes. Mas existe aquela mesma sensação de estar constantemente ficando mais forte e de querer descobrir qual será o próximo equipamento ou habilidade capaz de melhorar sua estratégia.

E essa é uma das coisas que mais funcionam no jogo.

O combate é simples de entender, mas tem bastante profundidade

À primeira vista, HellSlave II parece ter um sistema de combate por turnos bastante convencional.

Você escolhe suas habilidades, ataca, utiliza magias e administra seus recursos. A diferença está na maneira como o jogo trabalha o tempo.

Cada ação possui um peso diferente na linha temporal. Algumas habilidades são mais rápidas, enquanto outras exigem mais tempo para serem executadas. O peso dos equipamentos também interfere nessa dinâmica. Uma arma mais pesada pode causar mais dano, por exemplo, mas também pode fazer com que você demore mais para agir novamente.

Isso cria uma camada estratégica interessante.

Em vez de simplesmente pensar “qual habilidade causa mais dano?”, você começa a pensar também em quando aquela habilidade será executada.

É um detalhe que faz bastante diferença.

Também existe uma quantidade considerável de equipamentos, talentos e habilidades. Os itens não servem apenas para aumentar números: alguns adicionam efeitos específicos e podem acabar mudando completamente a maneira como uma determinada build funciona.

Esse sistema de construção de personagem é provavelmente um dos aspectos mais interessantes do jogo. As impressões que tive é que existe bastante espaço para experimentar combinações e transformar um personagem relativamente comum em algo completamente diferente.

A progressão é uma das melhores partes

Existe uma satisfação muito grande em HellSlave II quando você começa a perceber que seus equipamentos e habilidades estão trabalhando juntos.

Uma habilidade pode complementar outra. Um equipamento pode mudar completamente a eficiência de determinada estratégia. E uma build que parecia pouco interessante inicialmente pode começar a funcionar depois que você encontra os itens certos.

É esse tipo de progressão que me faz continuar jogando RPGs.

O jogo permite começar como Guerreiro ou Feiticeiro e depois especializar o personagem em diferentes classes, com seis caminhos disponíveis e uma árvore de talentos bastante flexível.

Não é simplesmente uma questão de subir de nível e aumentar atributos. Existe uma preocupação maior com a construção do personagem.

A história parece promissora

A história foi outra coisa que me chamou a atenção.

Não cheguei a avançar o suficiente para dizer que HellSlave II possui uma narrativa memorável do começo ao fim, mas a premissa é interessante e existe bastante lore espalhado pelo universo.

O jogo apresenta um mundo destruído, demônios em guerra, uma força celestial prestes a exterminar tudo e personagens tentando sobreviver no meio disso. É um cenário que oferece bastante espaço para desenvolver uma boa história.

Embora existam algumas ressalvas em relação ao desenvolvimento dos personagens e à qualidade de alguns diálogos, fiquei mais interessado em descobrir o que existe por trás daquele mundo do que propriamente envolvido com os personagens neste primeiro momento.

E isso é um bom sinal.

Explorar o mundo é interessante, mas poderia ser melhor

A exploração funciona de maneira diferente durante o combate e fora dele.

No mapa, a câmera passa para uma visão superior e você pode explorar áreas, encontrar inimigos, entrar em masmorras e descobrir elementos da história. A proposta é interessante e ajuda a quebrar a sequência constante de batalhas.

Por outro lado, essa é uma das áreas em que eu acho que o jogo poderia entregar um pouco mais.

O mundo é bonito e tem personalidade, mas nem sempre explorar uma determinada área produz aquela sensação de “o que será que vou encontrar aqui?”. Em alguns momentos, parece mais uma etapa necessária entre uma batalha e outra.

Ainda assim, existe potencial, principalmente porque o universo criado pelo jogo é suficientemente interessante para justificar uma exploração mais profunda.

Jogar no Legion Go é uma ótima experiência

Aqui HellSlave II me surpreendeu positivamente.

Joguei no Legion Go e o desempenho foi muito bom. O jogo é relativamente leve e, ao mesmo tempo, consegue entregar um visual bastante bonito.

Pelo consumo que observei durante minha sessão, acredito que seja perfeitamente possível chegar a algo próximo de duas horas de bateria em uma sessão de jogo. Isso coloca HellSlave II em uma posição muito interessante para quem possui um portátil.

É um RPG visualmente bonito, mas que não exige o mesmo tipo de hardware de um grande lançamento AAA. Os requisitos oficiais também são bastante modestos, com apenas 4 GB de RAM recomendados e placas de vídeo bastante antigas entre os requisitos.

Para mim, é exatamente o tipo de jogo que faz sentido em um aparelho como o Legion Go.

O controle poderia ser muito melhor

Aqui está provavelmente o principal problema que encontrei. Apesar de o jogo oferecer suporte completo a controle, a experiência não me pareceu tão intuitiva quanto deveria.

Frequentemente eu me pegava simplesmente tocando na tela do Legion Go para acessar determinadas opções.

Isso não significa que seja impossível jogar com o gamepad. É perfeitamente possível. O problema é que algumas ações parecem ter sido pensadas originalmente para mouse e teclado e depois adaptadas para o controle.

E em um jogo que combina menus, habilidades, equipamentos, talentos e diferentes telas de gerenciamento, isso acaba aparecendo bastante.

É uma pena, porque o restante da experiência no Legion Go é muito boa.

A trilha sonora poderia ser mais marcante

Outro ponto que me deixou um pouco menos empolgado foi a trilha sonora. Ela funciona e não chega a atrapalhar a experiência, mas poderia ser mais interessante.

Isso fica especialmente evidente porque HellSlave II é exatamente o tipo de RPG que pede uma trilha sonora memorável. Jogos desse estilo têm uma tradição enorme de músicas que acabam ficando na cabeça do jogador e se tornam parte da identidade da experiência.

Aqui, senti um pouco de falta disso. O visual consegue criar uma identidade muito forte. O universo também. O combate tem personalidade. Mas a música não me marcou na mesma proporção.

Não é um problema grave, mas é uma oportunidade perdida.

Um RPG que sabe exatamente o que quer ser

O que mais gostei em HellSlave II: Judgment of the Archon é que ele não parece desesperado para ser alguma coisa que não é.

Ele não precisa de um mapa gigantesco, centenas de horas de conteúdo ou gráficos absurdamente realistas.

É um RPG focado em combate, progressão, equipamentos, habilidades e exploração de um universo de fantasia sombria. E faz isso com uma identidade visual própria.

O sistema de combate consegue adicionar uma camada interessante à fórmula tradicional de turnos, principalmente por causa do gerenciamento de tempo. A enorme quantidade de possibilidades para montar o personagem também ajuda a manter a progressão interessante.

Ao mesmo tempo, alguns problemas impedem que o jogo seja uma experiência perfeita. A exploração poderia ser mais recompensadora, alguns elementos narrativos ainda parecem um pouco irregulares e os controles no gamepad precisam de mais atenção.

Mas são problemas que não conseguem esconder as qualidades do conjunto.

Vale o seu tempo

HellSlave II: Judgment of the Archon é uma ótima opção para quem gosta de RPGs de fantasia sombria e sente falta daquela estrutura clássica de explorar, lutar, encontrar equipamentos melhores e ficar cada vez mais poderoso.

O visual é provavelmente seu maior cartão de visitas. A mistura de fantasia sombria, ilustrações desenhadas à mão e criaturas demoníacas cria uma identidade que me agradou bastante. O combate, por sua vez, consegue pegar uma fórmula conhecida e adicionar uma mecânica de tempo que realmente influencia as decisões.

Também gostei bastante da possibilidade de experimentar diferentes builds e da sensação de progressão proporcionada pelos equipamentos, talentos e habilidades.

No Legion Go, ele se mostrou especialmente interessante. O jogo roda muito bem, é bonito, leve e parece combinar perfeitamente com sessões portáteis de RPG.

Os controles são o principal ponto que eu gostaria de ver melhorado, enquanto a trilha sonora poderia ter um pouco mais de personalidade.

Ainda assim, HellSlave II conseguiu algo que nem todo RPG independente consegue: me dar vontade de continuar jogando para descobrir qual será o próximo equipamento, habilidade ou área que vou encontrar.

E, para um RPG desse estilo, isso talvez seja o mais importante.

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Alguns jogos chamam atenção logo no primeiro trailer. Realm of Ink é um deles. A direção de arte inspirada em pinturas orientais e a estética que parece uma aquarela em movimento impressionam desde os primeiros minutos. A boa notícia é que o jogo não depende apenas do visual para convencer. Existe bastante conteúdo por trás dessa apresentação impecável.

Realm of Ink é um roguelite de ação em que cada partida serve para fortalecer sua personagem e desbloquear novas possibilidades para a próxima tentativa. A estrutura é familiar para quem gosta do gênero, mas consegue criar identidade própria através da ambientação inspirada na cultura chinesa e do enorme número de habilidades disponíveis.

O visual é simplesmente fantástico

Já disse que o gráfico é lindo?

Porque vale repetir. Realm of Ink é facilmente um dos jogos mais bonitos do gênero. Os cenários são extremamente detalhados, os efeitos de partículas deixam os combates muito mais impactantes e a direção artística consegue criar uma identidade própria sem tentar buscar realismo.

O melhor de tudo é que essa qualidade visual não cobra um preço alto em desempenho.

No Legion Go, o jogo rodou na resolução máxima durante toda a jogatina, mantendo excelente fluidez e sem qualquer engasgo. É o tipo de otimização que a gente gostaria de ver com mais frequência em jogos para PC.

Combate preciso e muita variedade

Os controles são relativamente simples de aprender e a resposta dos comandos é extremamente precisa, algo fundamental para um roguelite onde qualquer erro pode custar uma partida inteira.

Conforme você avança, o jogo começa a mostrar sua verdadeira profundidade. Existe uma quantidade enorme de habilidades, melhorias e combinações possíveis, o que faz cada tentativa ser um pouco diferente da anterior.

Esse sistema incentiva bastante a experimentação, permitindo criar estilos de jogo completamente distintos dependendo das escolhas feitas durante a partida.

É justamente essa variedade que aumenta bastante o fator replay.

O sistema de progressão poderia ser mais claro

Se existe um ponto que me incomodou, foi a forma como o jogo apresenta algumas de suas mecânicas.

O sistema de troca de habilidades e dos ajudantes acaba sendo um pouco confuso no começo. O problema não está na complexidade em si, mas na falta de informações suficientes para tomar decisões conscientes.

Muitas vezes você recebe uma nova habilidade sem entender exatamente o que ela faz ou qual seu potencial em comparação com a que já possui. Isso transforma escolhas importantes em praticamente um chute, principalmente nas primeiras horas.

Depois de algum tempo a situação melhora naturalmente, conforme você conhece cada habilidade, mas a curva inicial poderia ser muito mais amigável.

Também fiquei com a impressão de que o sistema de itens poderia ser melhor explicado. Pelo menos durante o tempo que joguei, parecia que bastava coletá-los sem precisar tomar grandes decisões sobre gerenciamento ou substituição. Pode existir uma profundidade maior mais adiante, mas ela não fica muito evidente no início da campanha.

Vale o seu tempo

Realm of Ink é um excelente roguelite que consegue equilibrar combate rápido, controles precisos, enorme variedade de builds e uma direção artística simplesmente espetacular.

A quantidade de habilidades disponíveis faz com que cada partida ofereça novas possibilidades, enquanto a ótima otimização garante uma experiência extremamente fluida até mesmo em dispositivos portáteis como o Legion Go.

Minha única ressalva fica para a forma como algumas mecânicas são apresentadas ao jogador. O sistema de habilidades e ajudantes poderia explicar melhor o impacto de cada escolha, evitando que as primeiras decisões pareçam aleatórias.

Fora isso, encontrei um jogo extremamente competente. Se você gosta de roguelites no estilo Hades, mas procura algo com uma identidade visual completamente diferente e um foco ainda maior em variedade de builds, Realm of Ink merece um lugar na sua biblioteca. É um daqueles casos em que a primeira impressão já é excelente — e, felizmente, o restante do jogo consegue acompanhar esse nível.

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Existe um tipo de jogo que não tenta reinventar o gênero, mas entende tão bem seus fundamentos que consegue prender você do começo ao fim. Vultures: Scavengers of Death é exatamente esse tipo de experiência. Se você gosta de jogos de tabuleiro como Zombicide, provavelmente vai se sentir em casa aqui. A estrutura é diferente, mas a sensação de planejar cada movimento, administrar recursos e sobreviver contra uma horda de zumbis é muito parecida.

A proposta mistura estratégia em turnos com sobrevivência e terror. Você controla um pequeno grupo de agentes enviados para uma cidade devastada por uma infecção, onde cada munição, cada kit médico e cada decisão fazem diferença. Em vez de sair eliminando tudo que aparece pela frente, o jogo frequentemente faz você pensar se vale mesmo a pena entrar em combate ou simplesmente encontrar uma rota segura até o próximo objetivo. Essa administração constante de recursos acaba criando uma tensão que combina muito bem com o clima de apocalipse zumbi.

Cada personagem realmente muda a forma de jogar

Um dos maiores acertos de Vultures está na construção dos personagens. Não são aquelas diferenças superficiais de alguns pontos em atributos. Cada integrante possui habilidades que realmente alteram a maneira como você encara os confrontos e resolve os problemas do mapa.

Isso faz com que montar sua equipe seja quase tão importante quanto executar os turnos. Algumas habilidades favorecem abordagens mais agressivas, enquanto outras recompensam um estilo mais cauteloso e estratégico. Conforme novas possibilidades aparecem, o jogo incentiva experimentar diferentes combinações em vez de simplesmente repetir sempre a mesma estratégia.

Outro ponto positivo é a quantidade de ações disponíveis em cada turno. No início isso pode até assustar. Existe um leque enorme de possibilidades, e entender quando correr, atacar, empurrar inimigos, usar habilidades ou simplesmente economizar recursos leva um tempo. A curva de aprendizado é relativamente alta, mas também é justamente isso que faz cada vitória parecer merecida.

Um survival horror onde pensar vale mais do que atirar

Apesar dos zumbis serem o foco, Vultures não é um jogo sobre exterminar tudo pela frente. A sensação é muito mais próxima dos clássicos survival horrors dos anos 90, onde sobreviver importa mais do que limpar o mapa inteiro.

Em vários momentos percebi que evitar confrontos era simplesmente a decisão mais inteligente. O gerenciamento de munição e recursos cria uma tensão constante, enquanto a exploração recompensa quem presta atenção ao ambiente. É um ritmo bem diferente dos jogos modernos de ação, e isso acaba dando personalidade ao projeto.

Os gráficos são sinceros. Não tentam impressionar pela tecnologia, mas cumprem muito bem seu papel ao construir uma atmosfera pesada e transmitir a sensação de isolamento. O estilo artístico conversa bastante com a proposta retrô do jogo e funciona melhor do que eu esperava.

No Legion Go, só um detalhe atrapalhou

No Legion Go, o desempenho foi excelente. O jogo é bastante leve e rodou sem qualquer problema durante os testes.

Infelizmente existe um detalhe que pesa bastante: não há suporte nativo para controle. Como o Legion Go naturalmente convida a jogar utilizando os controles integrados, isso acaba comprometendo parte da experiência. É perfeitamente possível jogar adaptando os comandos, mas fica claro que o título foi pensado para teclado e mouse. Considerando o restante da experiência, esse talvez seja o ponto que mais senti falta.

Também vale destacar que o jogo chega com interface em português brasileiro, algo sempre bem-vindo para um RPG tático com tantas mecânicas e informações na tela.

Vale o seu tempo

Vultures: Scavengers of Death não tenta revolucionar os jogos táticos em turnos, mas também não precisa disso para funcionar. Ele pega ideias conhecidas, executa muito bem seus sistemas e entrega um combate estratégico que recompensa planejamento muito mais do que improviso.

A curva de aprendizado pode assustar nas primeiras partidas, principalmente pela quantidade de opções disponíveis em cada turno, mas depois que tudo começa a fazer sentido o jogo revela uma profundidade bastante interessante. Some isso a personagens realmente diferentes entre si, boa administração de recursos e uma atmosfera que lembra os clássicos survival horrors, e você tem um jogo que consegue prender por muitas horas.

Minha única crítica fica para a ausência de suporte a controles, algo que faz bastante falta principalmente em dispositivos portáteis como o Legion Go. Tirando isso, encontrei um jogo sólido, competente e fácil de recomendar para quem gosta de estratégia em turnos, sobrevivência e, principalmente, de enfrentar hordas de zumbis pensando antes de agir.

No fim das contas, Vultures: Scavengers of Death é aquele tipo de jogo que talvez não chame atenção pelos gráficos ou pela inovação, mas conquista justamente pela qualidade da sua execução. E às vezes isso é exatamente o que basta.

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Denshattack! é um jogo bem peculiar, daqueles que parecem saídos de uma reunião em que alguém disse “e se a gente colocasse manobras de skate em trens em alta velocidade?”. O resultado é uma mistura que lembra Subway Surfers na forma como exige reflexo e troca constante de trilhos, mas também carrega uma alma de Tony Hawk, porque aqui não basta correr: é preciso pontuar, emendar manobras e manter o estilo em movimento.

A jogabilidade gira em torno dessa ideia de velocidade com precisão. Você pula, freia, faz drifts nas curvas, desvia de obstáculos e ainda tenta encaixar truques para somar pontos. O mais interessante é que o jogo não parece querer punir o jogador de forma cruel: quando algo dá errado, você volta alguns metros antes do erro, o que mantém o ritmo acelerado sem transformar a experiência em frustração. É um daqueles jogos que te empurram para frente o tempo inteiro, mas sem te jogar no chão por qualquer deslize.

Mecânica de esquivar de obstáculos lembra muito Subway Surfers

A sensação é que Denshattack! foi pensado para incentivar o jogador a melhorar sua performance em vez de simplesmente sobreviver até o final da fase. Conforme você aprende o trajeto, começa naturalmente a arriscar mais manobras, explorar caminhos alternativos e aproveitar melhor cada curva. Existe uma satisfação muito grande em completar uma sequência limpa de obstáculos enquanto encaixa truques sem perder velocidade.

Visualmente, o jogo também acerta bastante. Os gráficos cartunescos combinam muito bem com essa pegada futurista inspirada na cultura japonesa, criando um mundo cheio de personalidade. Os cenários passam por cidades gigantescas, áreas rurais, regiões montanhosas, vulcões e até trechos sobre o oceano, mantendo a experiência variada durante toda a progressão.

Outro ponto que me agradou foi a precisão dos controles. Em um jogo tão rápido, qualquer atraso nos comandos seria suficiente para estragar a experiência, mas isso não acontece aqui. As respostas são rápidas e consistentes, permitindo que você faça trocas de trilho, drifts e manobras com confiança. Boa parte da diversão vem justamente dessa sensação de domínio conforme você aprende cada percurso.

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Elementos da cultura japonesa podem ser vistos em todos os cantos!

A trilha sonora acompanha muito bem a proposta, enquanto os efeitos sonoros cumprem seu papel sem exageros. O jogo ainda oferece customização das locomotivas e tudo indica que existem modelos com habilidades próprias, embora eu ainda não tenha avançado o suficiente para confirmar isso. Há também uma história servindo de pano de fundo para toda a aventura, mas até onde joguei ela parece existir apenas para contextualizar o mundo, sem interferir muito na jogabilidade.

No Legion Go, o desempenho foi excelente. Só depois da gravação percebi que a resolução não estava configurada no máximo, mas isso acabou sendo uma escolha acertada para manter os 60 FPS praticamente constantes. Honestamente, em um jogo tão veloz, priorizar a fluidez faz muito mais diferença do que aumentar a resolução.

Outro detalhe positivo é que Denshattack! chega totalmente localizado para português brasileiro, algo que sempre ajuda na acessibilidade e demonstra um cuidado extra dos desenvolvedores.

A criatividade rola solta, afinal onde mais você encontra locomotivas sobrevoando um rio de lava?

Vale o seu tempo

Denshattack! consegue transformar uma ideia que parecia absurda em um arcade extremamente divertido. A mistura entre velocidade, reflexos e manobras funciona surpreendentemente bem, e a ausência de punições severas faz com que a experiência permaneça desafiadora sem se tornar frustrante. É o tipo de jogo perfeito para quem gosta de melhorar tempos, bater recordes e dominar cada fase aos poucos.

Minha única ausência sentida foi um modo de tela dividida. Toda a estrutura do jogo parece pedir uma competição local entre amigos para disputar quem consegue a maior pontuação ou a corrida mais limpa. Ainda assim, isso está longe de comprometer o resultado final.

Se você gosta de arcades rápidos, estilosos e diferentes de tudo que costuma aparecer no mercado, Denshattack! entrega exatamente isso. É uma proposta criativa, muito bem executada e com potencial para prender você por muitas horas.

Jogos Soulslike

Nos últimos anos surgiram diversos jogos inspirados em Dark Souls, mas poucos conseguem capturar a filosofia da série sem simplesmente copiar suas mecânicas. False Hero, pelo menos na versão Demo que testei, mostra que entende muito bem o que faz um bom soulslike. Em vez de bombardear o jogador com tutoriais, menus e explicações, ele prefere jogar você em um mundo estranho e deixar que a experiência fale por si só.

Desde os primeiros minutos fica claro que a inspiração em Dark Souls vai muito além da dificuldade. Você controla um misterioso ser encapuzado em um mundo sombrio, enfrentando criaturas igualmente enigmáticas em combates que misturam hack and slash, esquivas precisas e muita observação dos padrões dos inimigos. Se sair apertando botões sem pensar, prepare-se para morrer com frequência.

E isso faz parte da proposta.

Para que fogueiras quando a gente tem estátuas mágicas?

Assim como nos clássicos da FromSoftware, morrer não é um fracasso, mas parte do aprendizado. O sistema de salvamento também lembra bastante Dark Souls: ao descansar em uma fonte você recupera toda a vida, mas todos os inimigos voltam a aparecer. Em vez de enxergar isso como punição, rapidamente percebi que o sistema incentiva o grind, permitindo acumular uma moeda especial utilizada para melhorar suas habilidades.

Mas é justamente no sistema de progressão que False Hero encontra sua maior personalidade.

Em vez de simplesmente desbloquear golpes em uma árvore de habilidades tradicional, você aprende novas técnicas observando e derrotando seus inimigos. Depois de eliminar diversos adversários que atacam lançando livros, por exemplo, seu personagem passa a dominar esse mesmo ataque. Se enfrentar vários guerreiros que utilizam um poderoso golpe de espada, eventualmente também aprenderá essa habilidade.

O que é aquilo? Um pássaro? Um avião?

Achei essa ideia extremamente interessante porque cria uma sensação constante de descoberta. Cada novo inimigo deixa de representar apenas um obstáculo e passa a ser também uma oportunidade de expandir seu arsenal.

Além disso, durante a exploração encontrei pergaminhos que podem ser equipados para modificar habilidades e criar novos combos, aumentando ainda mais as possibilidades de personalização do combate.

Já os equipamentos que consegui durante a Demo me pareceram apenas cosméticos. Não percebi mudanças claras nos atributos, embora exista a possibilidade de que o jogo esconda alguma mecânica que ainda não esteja evidente nesta versão.

Equipamentos inicias não mostram atributos, ainda assim isso não quer dizer que eles não tenham diferença!

Visualmente, False Hero aposta em um estilo simples, mas bastante agradável. A direção artística combina muito bem com a atmosfera melancólica do jogo e consegue transmitir aquela sensação de mundo decadente típica dos bons soulslikes. A trilha sonora e os efeitos sonoros também seguem essa linha: são discretos, mas cumprem perfeitamente seu papel sem tentar roubar a atenção durante a exploração ou os combates.

Outro ponto positivo é a localização para o português, algo que sempre facilita bastante para quem prefere aproveitar a experiência sem barreiras de idioma.

Infelizmente, nem tudo são flores.

Testei False Hero em um Lenovo Legion GO e a otimização ainda precisa de bastante trabalho. Apesar dos gráficos relativamente simples, foi necessário reduzir todas as configurações para o mínimo — mantendo apenas a resolução nativa — para conseguir jogar acima dos 30 FPS. Mesmo assim, pequenos travamentos apareceram durante a partida com certa frequência.

Por isso, pelo menos na versão Demo, não espere uma experiência ideal em dispositivos portáteis. Além do desempenho limitado, o consumo de energia também acaba sendo elevado, tornando difícil jogar por muito tempo apenas utilizando a bateria.

Naturalmente, trata-se de uma versão de demonstração, então há espaço para melhorias até o lançamento completo.

Vale o seu tempo?

Se você gosta de Dark Souls e procura um soulslike que tenta fazer mais do que simplesmente copiar a fórmula da FromSoftware, False Hero merece entrar no seu radar. O sistema de aprender habilidades diretamente dos inimigos traz uma identidade própria e deixa a progressão muito mais interessante do que eu esperava.

A Demo ainda sofre com problemas de otimização, especialmente em hardware portátil, mas o potencial está claramente ali. Se os desenvolvedores conseguirem melhorar o desempenho até o lançamento, False Hero tem tudo para agradar quem gosta de exploração, combates desafiadores e daquela satisfação única de finalmente derrotar um inimigo que parecia impossível.

Shooters

HYPERWIRED chegou à Steam em 2 de julho como um shooter top-down 2D com elementos de roguelike, naves desbloqueáveis, geração procedural e um sistema central baseado em “plugue e tomada” para gerenciar recursos. A própria página do jogo já deixa claro o tom da experiência: aqui não basta atirar bem, é preciso se conectar, recarregar energia, administrar upgrades e sobreviver a uma ação que claramente aposta na pressão constante.

E é exatamente isso que define HYPERWIRED: ele não tenta ser um jogo gentil. É uma navinha fast-paced, com muita coisa acontecendo ao mesmo tempo na tela, já na primeira fase, e isso deixa bem claro que não estamos diante de uma experiência para qualquer um — inclusive, eu me incluo nessa categoria. A premissa é simples, mas o jeito como ela é executada complica tudo de um jeito que exige reflexo, atenção e uma cabeça fresca para acompanhar a bagunça organizada que o jogo propõe.

Neste momento podemos ver que eu não tinha uma estratégia!

Você está em uma espécie de arena e precisa ligar sua nave em tomadas de cores específicas antes de acessar a tomada final e passar de fase. Enquanto faz isso, minúsculas naves inimigas vêm na sua direção o tempo todo, e a sua resposta para sobreviver é um kit que mistura tiro, bombas, laser e gerenciamento de energia. Ainda tem a coleta de chips e baterias para melhorar a nave, embora eu seja sincero: essa parte eu não consegui entender direito. Também existem naves auxiliares que você recruta ao levá-las para uma tomada de cor específica, o que adiciona mais uma camada ao caos geral.

O jogo também trabalha com recursos que fazem diferença o tempo inteiro. Se eu não estiver esquecendo nenhum, são pelo menos quatro: vida, energia, munição e os escudos temporários. A vida cai a cada hit, a nave inicial tem quatro pontos, se acabar, game over sem dó. A energia é o seu combustível, se ela acabar você simplesmente para de se mover. Se a munição esgotar, você fica sem usar bombas. Além disso, existe um recurso de carga de emergência para situações em que a energia zera, o que ajuda um pouco, mas não transforma o jogo em algo mais fácil. Na prática, HYPERWIRED quer que você pense rápido o tempo todo — e eu honestamente não tive essa disposição toda.

Também tem a questão do controle. Eu não sou especialista em jogos feitos para controle, e a dinâmica de mover e atirar usando sticks definitivamente não é para mim. Mesmo tentando no teclado, não tive muito mais sucesso. São coisas demais para gerenciar ao mesmo tempo, e o jogo parece ter sido desenhado para quem gosta de encarar esse tipo de desafio sem piscar. Para quem curte esse nível de exigência, beleza. Para mim, foi pesado demais.

Aqui já ficou claro que eu não sabia o que estava fazendo

Mas HYPERWIRED tem identidade. O cabo que prende a nave à tomada muda a lógica do combate e deixa tudo mais tenso, e a ideia de administrar energia, armas, posicionamento e objetivo ao mesmo tempo dá ao jogo uma personalidade própria. Não é só um shooter comum com visual retrô. O jogo parece até mais tático do que a média dos shooters por causa das mecânicas, além do pixel art limpo e do sistema de slow-motion, que ajuda bastante a respirar no meio da confusão.

Visualmente, não tenho grandes reclamações. Os gráficos são decentes, fazem o serviço e ajudam o jogo a manter sua leitura mesmo com tanta coisa acontecendo na tela. A trilha sonora e os efeitos sonoros são simples, mas funcionais. Nada aqui tenta roubar a cena da jogabilidade; tudo existe para sustentar a ação e a pressão constante. E, nesse sentido, HYPERWIRED funciona.

No fim, é um jogo bem otimizado, leve e com uma proposta clara: agradar quem gosta de dificuldade, gestão de recursos e reflexo rápido. Para mim, ele foi difícil demais e até cansativo em alguns momentos, mas isso não muda o fato de que há personalidade aqui. Eu deixo HYPERWIRED para as mentes mais ágeis, mais frescas e mais determinadas a encarar um bom desafio. Para quem gosta desse tipo de correia apertada no espaço, ele tem cara de jogo para render bastante.

E aqui minha tela preferida, aquele momento de refletir sobre a própria falta de dedos!

Vale o seu tempo?

Se você gosta de shooter difícil, mecânica diferente e não se incomoda com uma curva de aprendizado agressiva, sim. Se a ideia é apenas relaxar e sair explodindo inimigos sem pensar muito, melhor passar longe. HYPERWIRED não quer ser confortável — e justamente por isso ele chama atenção.

FERALPALS

O gênero de terror independente está repleto de mascotes assustadores, criaturas bizarras e sustos previsíveis. Por isso, quando FERALPALS começa parecendo uma aventura inocente em um mundo habitado por animais antropomorfizados, é fácil imaginar que estamos diante de mais uma tentativa de seguir tendências. Felizmente, não é isso que acontece.

A primeira surpresa vem justamente da ambientação. O universo criado pela Polypaw lembra bastante produções como Zootopia em sua superfície: uma sociedade funcional composta inteiramente por animais inteligentes, vivendo em cidades, trabalhando, estudando e construindo relacionamentos. Porém, por trás dessa aparência acolhedora existe uma sensação constante de que algo está profundamente errado.

A história acompanha Dan, um jovem cachorro antropomorfizado que recebe um convite para reencontrar amigos de infância em um antigo acampamento na floresta. O início é propositalmente tranquilo, apresentando a rotina do protagonista e seus relacionamentos. É uma construção lenta, quase confortável, que permite ao jogador conhecer melhor aquele universo antes que tudo comece a desmoronar.

E desmorona rapidamente.

Um mundo sem humanos… ou talvez não?

Conforme a narrativa avança, descobrimos que a humanidade desapareceu há muito tempo. Segundo a própria mitologia apresentada pelo jogo, os humanos foram extintos após um patógeno ligado às suas próprias criações, os chamados Amigos Perfeitos. Essas criaturas, originalmente animais modificados geneticamente para adquirir inteligência semelhante à humana, acabaram herdando o mundo deixado para trás.

Esse é o ponto onde FERALPALS começa a mostrar sua principal qualidade: o mistério.

O jogo entrega informações suficientes para despertar curiosidade, mas evita responder perguntas importantes. O que realmente aconteceu com os humanos? Eles foram totalmente exterminados? Existe alguém observando os acontecimentos? E principalmente: o que está transformando alguns dos Pals em criaturas selvagens e violentas?

Durante nossa experiência, a sensação foi de estar diante de uma conspiração muito maior do que o primeiro capítulo permite enxergar.

Os animais infectados lembram zumbis em alguns momentos, mas o comportamento deles sugere algo diferente. Eles parecem agir sob influência de uma entidade maior, conhecida apenas como Guardião. O personagem aparece como uma presença ameaçadora durante os eventos e rapidamente se torna o principal foco das teorias sobre a trama.

Minha interpretação é que o Guardião possa ter alguma ligação direta com a antiga humanidade. O jogo não confirma nada, mas deixa pistas suficientes para alimentar especulações durante todo o capítulo.

Uma direção artística que cria identidade própria

Visualmente, FERALPALS é extremamente marcante.

O estilo gráfico utiliza personagens low-poly e cenários estilizados que remetem a produções da era PlayStation 1, mas sem abrir mão de técnicas modernas de iluminação e composição de cena. O resultado cria uma estética única que consegue ser fofa e perturbadora ao mesmo tempo.

As animações merecem destaque especial.

Os movimentos dos personagens são fluidos, as transições entre cenas acontecem de maneira natural e diversas sequências cinematográficas ajudam a aumentar a imersão. É evidente que houve um cuidado significativo na direção visual para transformar momentos simples em cenas memoráveis.

A trilha sonora também contribui bastante para essa atmosfera.

Nas partes iniciais ela transmite conforto e nostalgia. Conforme os acontecimentos se tornam mais sombrios, a música acompanha essa transformação sem recorrer a exageros. O resultado é uma tensão crescente que funciona muito bem para um jogo focado em narrativa.

O ritmo pode dividir opiniões

Se existe um ponto que pode afastar alguns jogadores, é o ritmo.

FERALPALS aposta fortemente na construção de personagens e no desenvolvimento da narrativa. Isso significa muitos diálogos, muitas cenas e bastante exposição do universo.

Para quem gosta de jogos focados em história, isso provavelmente será um ponto positivo.

Por outro lado, durante nossos testes sentimos que algumas conversas se estendem mais do que o necessário. O problema é agravado pelo fato de que atualmente não existe uma forma eficiente de acelerar ou pular diálogos já lidos.

Em determinados momentos, especialmente no começo da aventura, isso faz a progressão parecer mais lenta do que deveria.

É um detalhe pequeno, mas que pode fazer diferença caso o jogador precise repetir alguma sequência.

Terror baseado em mistério, não apenas em sustos

Outro aspecto interessante é que FERALPALS não depende exclusivamente de sustos supresas.

O verdadeiro horror nasce da descoberta gradual daquele universo.

A ideia de uma civilização inteira construída sobre os restos da humanidade já seria intrigante por si só. Quando o jogo adiciona criaturas enlouquecidas, desaparecimentos misteriosos, figuras sombrias observando os personagens e dúvidas sobre a própria origem daquele mundo, o resultado se torna muito mais interessante do que um simples survival horror.

É justamente essa combinação entre fofura, nostalgia e terror psicológico que diferencia FERALPALS da maioria dos jogos independentes do gênero.

Vale a pena jogar a demo?

Sem dúvida.

Mesmo sendo apenas o primeiro capítulo, FERALPALS consegue apresentar personagens carismáticos, construir um universo intrigante e deixar perguntas suficientes para gerar expectativa pelos próximos episódios.

O ritmo mais lento e a ausência de opções para acelerar diálogos podem incomodar alguns jogadores, mas são problemas relativamente pequenos diante da qualidade da narrativa, da direção artística e do mistério central da trama.

Para quem gosta de histórias que escondem algo muito maior sob uma aparência inocente, FERALPALS surge como uma das demos mais promissoras do cenário indie atual.

E se o restante da história conseguir responder às perguntas levantadas neste primeiro capítulo sem perder o clima de mistério, existe um forte candidato a cult indie surgindo no horizonte.

Reptillian RIsing
Reptillian RIsing

Entre tantos RPGs táticos lançados nos últimos anos, Reptilian Rising consegue chamar atenção por um motivo simples: ele abraça o caos. O jogo coloca personagens inspirados em figuras históricas, arquétipos clássicos de fantasia e elementos de ficção científica em uma mesma linha temporal completamente quebrada. O resultado é uma experiência que parece uma mistura de XCOM, RPG de mesa dos anos 80 e um desenho animado sci-fi movido por exageros.

Durante nossos testes, a primeira impressão foi bastante positiva no aspecto visual. O jogo possui gráficos estilizados muito bonitos, com cenários detalhados e efeitos de combate que ajudam a criar personalidade para cada batalha. O problema é que toda essa beleza cobra um preço. Em dispositivos portáteis como o Legion Go, o desempenho não é exatamente o ideal.

Embora o jogo funcione e seja totalmente jogável no handheld, fica evidente que a otimização para esse tipo de plataforma não recebeu tanta atenção quanto deveria. O esquema de controle utiliza os direcionais para simular o movimento do mouse, algo que funciona tecnicamente, mas que nunca chega a ser confortável. Em partidas mais longas, navegar pelos menus acaba se tornando uma tarefa mais cansativa do que deveria.

E os menus são justamente um dos pontos mais controversos da experiência.

Em diversos momentos, a interface apresenta informações demais ao mesmo tempo. Durante a seleção de heróis, por exemplo, houve situações em que simplesmente não estava claro qual botão deveria ser pressionado para confirmar uma escolha e avançar. Isso gera uma sensação constante de desorientação, principalmente nas primeiras horas, quando o jogador ainda está tentando entender as mecânicas principais.

Curiosamente, essa confusão também faz parte da identidade do jogo.

Uma guerra através do tempo

A narrativa gira em torno de uma invasão reptiliana que ameaça toda a linha temporal da humanidade. Para impedir o colapso da história, diferentes heróis de várias épocas são recrutados através de portais temporais conhecidos como Time Gates.

A campanha viaja por diferentes eras, colocando lado a lado guerreiros medievais, cientistas, personagens inspirados em mitologias, combatentes futuristas e figuras que parecem ter saído diretamente de campanhas clássicas de RPG de mesa. Essa mistura cria situações extremamente curiosas e ajuda a manter o interesse mesmo quando a história deliberadamente abraça o absurdo.

O roteiro não tenta ser uma obra-prima narrativa. Pelo contrário: muitas vezes ele aposta no humor, nos exageros e em situações completamente sem sentido. Ainda assim, existe um charme próprio em acompanhar essa guerra temporal contra uma raça de lagartos interdimensionais.

As classes são o verdadeiro destaque

Um dos elementos mais interessantes de Reptilian Rising é seu sistema de classes e especializações.

Embora cada herói possua habilidades próprias, eles normalmente se encaixam em arquétipos que definem sua função dentro da equipe.

Guerreiros e Tanques

São os personagens focados em absorver dano e proteger aliados. Possuem alta resistência, grande capacidade de sobrevivência e costumam liderar o avanço no campo de batalha.

Funcionam muito bem para controlar espaços e bloquear inimigos, especialmente durante missões onde proteger portais e objetivos é mais importante do que eliminar adversários rapidamente.

Rangers e Atiradores

Aqui estão algumas das unidades mais poderosas do jogo.

Personagens de longo alcance conseguem eliminar ameaças antes mesmo que elas cheguem perto da equipe. Diversos jogadores apontam que estratégias focadas em heróis de ataque à distância acabam sendo extremamente eficientes durante boa parte da campanha.

Quando recebem habilidades de dano em área, esses personagens podem limpar grupos inteiros de inimigos em poucos turnos.

Magos e Especialistas Tecnológicos

Misturando fantasia e ficção científica, essa categoria reúne usuários de habilidades especiais capazes de causar efeitos de status, manipular o campo de batalha ou causar explosões devastadoras.

São personagens menos resistentes, mas que oferecem enorme valor estratégico quando posicionados corretamente.

Curandeiros e Suporte

Nem tão chamativos quanto os causadores de dano, mas extremamente importantes em dificuldades mais elevadas.

Esses heróis fornecem cura, bônus temporários e diversas formas de manter o grupo vivo durante confrontos prolongados.

Invocadores e Manipuladores Temporais

Talvez as classes mais alinhadas com o conceito da narrativa.

Esses personagens utilizam habilidades relacionadas ao tempo, portais e controle de posicionamento, permitindo criar jogadas extremamente criativas e alterar completamente o ritmo de uma partida.

Combate tático para quem gosta de pensar

A jogabilidade segue a fórmula clássica dos RPGs táticos por turnos.

Cada personagem possui movimentação limitada, habilidades próprias e ações específicas por rodada. O posicionamento é fundamental, especialmente porque muitas habilidades podem gerar reações dos inimigos, criando um sistema mais dinâmico do que parece à primeira vista.

Quem já gosta de jogos como XCOM, Final Fantasy Tactics ou campanhas de RPG de mesa provavelmente vai se sentir em casa rapidamente.

Existe uma boa camada estratégica na montagem de equipe, já que heróis de determinadas eras podem gerar sinergias específicas quando utilizados juntos. Isso incentiva experimentação e cria composições bastante variadas ao longo da campanha.

Vale a pena?

Reptilian Rising é um jogo cheio de personalidade, mas também cheio de imperfeições.

A interface poderia ser mais intuitiva. A otimização para dispositivos portáteis deixa a desejar. Alguns sistemas demoram para se explicar adequadamente e a narrativa pode parecer completamente maluca em determinados momentos.

Mesmo assim, existe algo extremamente divertido em comandar uma equipe formada por heróis de diferentes períodos da história enquanto enfrenta dinossauros cibernéticos, soldados futuristas e criaturas reptilianas vindas de outras linhas temporais.

Para fãs de estratégia por turnos, especialmente aqueles que gostam de experimentar sistemas de classes, montar equipes e criar combinações malucas, Reptilian Rising entrega uma experiência única e bastante viciante.

Ele pode não ser o RPG tático mais refinado do mercado, mas certamente é um dos mais criativos e memoráveis que apareceram recentemente.

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Super Alloy Crush

Existem jogos que claramente tentam copiar clássicos. E existem jogos que entendem por que aqueles clássicos eram tão especiais. Super Alloy Crush pertence ao segundo grupo.

Desde os primeiros minutos, fica impossível não lembrar imediatamente da era dourada de Mega Man X. O visual em pixel art, a movimentação veloz, os tiros carregados, os chefões enormes e até o ritmo da ação parecem uma verdadeira carta de amor aos fãs dos clássicos da Capcom dos anos 90.

Mas o mais importante é que Super Alloy Crush não se resume apenas à nostalgia. Ele consegue capturar a essência daqueles jogos antigos enquanto adiciona identidade própria, criando uma experiência extremamente divertida, dinâmica e viciante.

Para quem cresceu jogando Mega Drive, Super Nintendo, PlayStation 1 e principalmente Mega Man X no SNES, esse é exatamente o tipo de indie que faz abrir um sorriso no rosto.

Um clássico moderno com alma retrô

A inspiração em Mega Man é impossível de ignorar — e isso definitivamente é um elogio.

O protagonista lembra imediatamente os heróis clássicos dos jogos de ação 2D, enquanto os inimigos mecânicos, tiros energéticos e fases destrutivas reforçam ainda mais essa sensação nostálgica.

Só que o jogo não parece uma simples cópia barata. Existe personalidade aqui.

A movimentação é rápida, os controles são precisos e o combate possui aquele ritmo frenético clássico dos melhores jogos de ação arcade. Em poucos minutos você já entra naquele estado de “só mais uma fase” sem perceber o tempo passar.

Tudo funciona exatamente como deveria:

  • tiros responsivos;
  • movimentação fluida;
  • combate acelerado;
  • chefes memoráveis;
  • gameplay extremamente viciante.

É um daqueles jogos que entendem perfeitamente o que fazia os clássicos funcionarem tão bem.

Gameplay rápido, divertido e cheio de ação

Super Alloy Crush praticamente não perde tempo.

Desde o começo o jogador já é colocado em cenários caóticos cheios de explosões, tiros e inimigos aparecendo de todos os lados. A ação é constante, mas nunca injusta.

O jogo possui um excelente equilíbrio entre desafio e diversão. Existe dificuldade, principalmente nos confrontos contra chefes, mas os controles são tão precisos que qualquer erro normalmente parece culpa do jogador — exatamente como acontecia nos melhores jogos da era 16-bit.

As batalhas contra chefões merecem destaque especial.

Os inimigos gigantes possuem ataques variados, padrões interessantes e deixam as lutas extremamente cinematográficas. Em vários momentos o jogo lembra aqueles encontros épicos de Mega Man X, Gunstar Heroes e até alguns trechos de Contra.

Tudo acontece em um ritmo muito intenso e energético.

Pixel art extremamente caprichada

Visualmente, Super Alloy Crush é lindo.

A pixel art é detalhada, colorida e cheia de personalidade. Os cenários destruídos, robôs gigantes e efeitos de explosão ajudam bastante na atmosfera futurista retrô que o jogo tenta construir.

Os sprites possuem ótima animação e existe um cuidado evidente em cada efeito visual:

  • disparos energéticos;
  • partículas;
  • explosões;
  • iluminação;
  • movimentação dos inimigos.

Mesmo sendo claramente inspirado nos clássicos, o jogo ainda consegue parecer moderno graças à qualidade da direção artística.

Trilha sonora extremamente nostálgica

Outro ponto que ajuda muito na sensação retrô é a trilha sonora.

As músicas possuem aquele estilo energético clássico dos jogos de ação japoneses dos anos 90. Em vários momentos a trilha parece saída diretamente de um Mega Man do Super Nintendo ou de um anime cyberpunk antigo.

É impossível não sentir nostalgia.

As guitarras, sintetizadores e batidas aceleradas combinam perfeitamente com a ação frenética do gameplay. A música constantemente empurra o jogador para frente, aumentando ainda mais a adrenalina das batalhas.

Para quem sente saudade da época dourada dos jogos de ação 2D, a trilha sonora aqui acerta em cheio.

Excelente experiência no Legion Go

Testei Super Alloy Crush no Legion Go e a experiência foi excelente.

O jogo roda perfeitamente, sem travamentos, sem quedas perceptíveis de desempenho e com ótimo consumo de bateria. Isso faz dele uma escolha perfeita para handhelds.

E honestamente, esse tipo de jogo combina demais com portáteis.

As fases rápidas, gameplay viciante e controles precisos transformam o jogo em uma experiência perfeita para sessões curtas ou longas fora de casa.

Além disso:

  • o visual fica ótimo na tela portátil;
  • os controles funcionam perfeitamente;
  • o desempenho é extremamente leve;
  • a bateria dura bastante.

É facilmente um daqueles jogos ideais para carregar sempre instalado no dispositivo.

Um verdadeiro tributo aos clássicos

O maior mérito de Super Alloy Crush talvez seja justamente entender o que fazia os clássicos serem tão especiais.

O jogo não tenta reinventar completamente o gênero. Em vez disso, ele abraça totalmente sua inspiração e entrega uma experiência refinada, divertida e extremamente carismática.

Existe paixão evidente aqui.

Os desenvolvedores claramente entendem o legado de jogos como:

  • Mega Man X;
  • Gunvolt;
  • Contra;
  • Gunstar Heroes;
  • clássicos arcade de ação japonesa.

E isso aparece em cada detalhe do gameplay.

Vale o seu tempo

Super Alloy Crush é um excelente ode aos clássicos da era de ouro dos jogos de ação 2D. Ele consegue capturar perfeitamente a sensação dos antigos Mega Man X enquanto entrega gameplay moderno, responsivo e extremamente divertido.

A ação frenética, os chefões gigantes, a pixel art caprichada e a trilha sonora nostálgica fazem dele um prato cheio para fãs de jogos retrô.

Somado ao excelente desempenho no Legion Go, baixo consumo de bateria e gameplay viciante, temos aqui um indie extremamente fácil de recomendar.

Se você sente saudade dos tempos de ouro do Super Nintendo, PlayStation 1 e dos clássicos da Capcom, Super Alloy Crush provavelmente vai conquistar você nos primeiros minutos.

ChainStaff

Um humano fundido com um inseto, combates rápidos e uma arma que muda tudo: este platformer desafia reflexos e recompensa criatividade a cada tentativa!

Um começo estranho que já dita o tom

Logo de cara, a proposta chama atenção. Você assume o controle de alguém que passou por uma cirurgia nada convencional e agora divide o próprio corpo com um inseto. É impossível não lembrar de A Metamorfose, mas aqui a abordagem é menos filosófica e muito mais voltada para ação.

Essa transformação não é só estética. Ela impacta diretamente a forma como você joga. Existe uma sensação constante de desconforto — no bom sentido — como se você estivesse aprendendo a controlar algo que não deveria existir. E isso encaixa perfeitamente com a proposta frenética do jogo.

O ritmo já começa acelerado e não diminui. Não há muito espaço para contemplação. É ação, movimento e reação o tempo todo.

Combate rápido que cobra habilidade

Se tem uma coisa que fica clara rapidamente é que o jogo não pega leve. Mesmo na dificuldade padrão, ele exige atenção constante e reflexos afiados. Não é aquele tipo de desafio injusto, mas também não permite descuido.

Pular, atirar e se posicionar bem são só o básico. O verdadeiro diferencial está na forma como você aprende a lidar com os inimigos. Cada tipo tem seu comportamento, seus padrões e suas defesas. Alguns simplesmente não caem se você insistir na mesma abordagem.

Existe um modo mais acessível para quem quiser reduzir a pressão, mas mesmo sem recorrer a ele, dá para sentir evolução a cada tentativa. Você erra, entende o que aconteceu e volta melhor. Esse ciclo funciona muito bem.

A lança que muda completamente o jogo

A grande estrela aqui é a arma secundária. Não é só uma ferramenta de combate — é praticamente o coração da experiência. Ela funciona como gancho, permitindo se balançar pelo cenário, mas vai muito além disso.

Você pode criar estruturas, improvisar proteção, abrir caminhos e até transformar essa ferramenta em um ataque carregado capaz de atravessar defesas inimigas. Em certos momentos, ela não é opcional. É essencial.

No começo, é comum tentar resolver tudo com a arma principal. Mas rapidamente fica claro que isso não é suficiente. O jogo recompensa quem combina as duas abordagens. Quando esse clique acontece, tudo flui melhor.

É aquele tipo de mecânica que amplia as possibilidades sem complicar demais. Simples de entender, difícil de dominar.

Estilo visual estranho na medida certa

Visualmente, o jogo aposta em um estilo bem característico. As cores, os designs e as criaturas têm uma pegada que lembra animações modernas cheias de exagero, com alienígenas que parecem saídos de um delírio criativo.

Cada inimigo tem identidade própria. Não são apenas obstáculos genéricos. Eles exigem leitura, adaptação e, às vezes, paciência. Isso ajuda a manter o combate interessante mesmo após várias tentativas.

O mundo também ganha vida com a presença de NPCs humanos. Eles quebram um pouco a estranheza do ambiente, mas trazem decisões curiosas. Você pode ajudar… ou seguir por caminhos bem mais questionáveis.

Escolhas que impactam sua evolução

Um dos elementos mais inesperados está nas decisões envolvendo esses personagens. Ao encontrá-los em perigo, você tem opções. Ajudar pode render melhorias tecnológicas. Mas há alternativas bem mais sombrias.

Consumir partes desses personagens para ganhar vantagens diretas muda completamente o tom da experiência. Não é só uma mecânica de upgrade. É uma escolha que reforça a natureza híbrida do protagonista.

Essas decisões criam um contraste interessante. Você não está apenas lutando contra inimigos, mas também lidando com o tipo de criatura que está se tornando. Isso adiciona uma camada extra que vai além da ação pura.

Desempenho sólido em portátil

Um ponto que vale destaque é como o jogo se comporta em dispositivos portáteis. Testei em um Legion Go rodando SteamOS e a experiência foi extremamente estável do início ao fim. Mesmo em momentos mais caóticos, com vários inimigos e efeitos na tela, não houve quedas perceptíveis de desempenho.

Por não ser um título exigente, dá até para ajustar pensando em eficiência. Limitei o FPS em 60 e o resultado foi um consumo bem controlado. O aparelho praticamente não esquentou, e consegui jogar por mais de uma hora e meia na bateria sem preocupação. Isso coloca o jogo facilmente naquela categoria ideal para sessões longas longe da tomada, algo que faz muita diferença nesse tipo de experiência rápida e viciante.

Trilha sonora que acelera tudo

A trilha sonora segue um caminho bem claro — e acerta em cheio. O uso de metal combina perfeitamente com o ritmo acelerado da jogabilidade, dando ainda mais intensidade para os combates e momentos de pressão.

Não é só um fundo sonoro qualquer. Existe uma energia constante ali que empurra o jogador para frente. Quando a ação começa a ficar mais intensa, a música acompanha na mesma medida, criando uma sensação de urgência que encaixa muito bem com a proposta do jogo.

Pode não ser uma trilha memorável no sentido tradicional, mas dentro da experiência ela funciona exatamente como deveria: amplificando o impacto de cada confronto.

Vale o seu tempo?

Aqui temos um jogo que sabe exatamente o que quer ser. Ele é rápido, desafiador e criativo na forma como mistura mobilidade e combate. Não tenta agradar todo mundo, mas quem entra na proposta dificilmente sai indiferente.

ChainStaff acerta ao dar liberdade para o jogador experimentar e aprender. A dificuldade existe, mas vem acompanhada de progresso claro. Cada erro ensina algo, e isso faz toda diferença.

Vale a pena jogar, principalmente se você gosta de ação em plataforma com foco em habilidade e mecânicas bem pensadas. Some isso a uma identidade visual marcante e a um sistema de evolução cheio de escolhas curiosas, e o resultado é uma experiência que prende mais do que parece à primeira vista.