#Memórias
O PC gaming sempre foi caro, e agora a RAM virou motivo extra de dor de cabeça. Em testes recentes, um kit de 32 GB DDR5‑6000 CL30 chegou a custar menos de R$470 durante promoções; hoje o mesmo módulo aparece por cerca de R$2.500. Há kits mais baratos de marcas desconhecidas por cerca de R$1.600, mas eles rodam em 4.800 MT/s com latências piores. Com a diferença de largura de banda e timings, a pergunta é: isso arruína a experiência nos jogos?
Para responder, foi usado um PC de alto desempenho com AMD Ryzen 9 9900X e uma GeForce RTX 5090, comparando um kit DDR5‑6000 CL32 com o DDR5‑4800 CL40. Foram testados sete jogos em 1080p, 1440p e 4K, registrando média e 1% low em cinco minutos de gameplay por título. A ideia foi ver quando o gargalo vem da GPU ou da memória.
Resultado: títulos pesados na GPU como Cyberpunk 2077, Black Myth: Wukong e Stalker 2 mal sentiram a diferença. Jogos com muita CPU ou streaming de dados, como Microsoft Flight Simulator 2024, e casos competitivos como Counter‑Strike 2 (em resoluções/qualidades baixas) mostram sensibilidade. Spider‑Man Remastered e Hogwarts Legacy foram os mais afetados — especialmente nas quedas de 1% low; Hogwarts chegou a perder até cerca de 20% nos piores momentos. Testes adicionais com uma RTX 3060 Ti mostram que, em presets baixos e médios (quando a CPU manda), a memória mais lenta reduz mínimos de forma mais visível.
Conclusão rápida: se você joga competitivos no máximo de FPS ou roda jogos que fazem muito streaming de dados, prefira kits mais rápidos. Para a maioria dos jogadores com GPU ocupada, economizar num DDR5‑4800 não vai arruinar a experiência — só vai doer menos no bolso.
A crise de preços da memória está afetando quem monta PCs. Em apenas uma semana o preço médio de chips DDR4 subiu quase 10%, passando de cerca de R$132 para R$145 por unidade, e isso tem feito muita gente adiar upgrades. A oferta está apertada por vários motivos: parte da produção foi aproveitada por projetos de grande escala e muitos vendedores seguram o estoque, além de fechamentos temporários em fábricas por causa do feriado lunar.
Com isso, compradores têm buscado alternativas mais antigas. Placas-mãe com DDR3 e combos com processadores Intel de 6ª a 9ª geração voltaram ao centro das atenções em alguns mercados, já que conseguem rodar jogos menos exigentes por um custo menor. DDR4 deixou de ser descontinuada e voltou a receber interesse justamente porque é uma opção melhor que nada e ainda serve bem para boa parte dos jogos.
O resultado é simples: se você só joga títulos leves, jogos indies ou aventuras focadas em narrativa, DDR3 pode ser uma solução temporária. Para jogos modernos e multiplayer competitivo, vale esperar ou tentar achar kits DDR4 em promoção. Em qualquer caso, pesquise compatibilidade, priorize ter memória suficiente (12 GB ou mais em muitos casos) e avalie placas e processadores usados antes de tomar a decisão.
Com a crise de memória fazendo os preços subirem, um modder russo que se identifica como VIK-on afirma ter criado um pente DDR5 de 32 GB a partir de dois módulos SODIMM de 16 GB. A proposta foi juntar os chips em uma placa DIMM para desktop e assim reduzir o custo. O projeto chamou atenção por mostrar uma alternativa fora do mercado tradicional.
O processo envolveu usar os SODIMMs como fonte de chips e encontrar uma PCB compatível para montar tudo em um único pente. Também foi necessário lidar com firmware do módulo: o trabalho teria aproveitado um perfil XMP 6400 CL32 de uma marca conhecida. O custo total do projeto ficou em cerca de R$1.150, algo em torno de um terço do preço habitual para um módulo de 32 GB naquele mercado.
Não é algo simples: exige solda fina, paciência e testes para garantir estabilidade. Mesmo assim, a iniciativa mostra como a escassez de memória está empurrando pessoas a soluções criativas. Se alguém transformar isso em negócio, pode ajudar a suprir demanda específica, mas é improvável que cause uma queda drástica nos preços. Para a maioria dos jogadores, a opção mais segura ainda é comprar módulos fabricados e testados comercialmente.
A crise de fornecimento de memória não acabou e pode durar além de 2028. A Samsung e a SK Hynix, que juntas dominam grande parte do mercado de DRAM, estão evitando aumentar a produção de forma agressiva. A Samsung disse em uma chamada com investidores que prefere manter a rentabilidade a longo prazo e controlar investimentos para evitar excesso de oferta. A SK Hynix afirmou que vai investir uma fatia maior das vendas em fábricas, mas admitiu que ainda será difícil atender toda a demanda. Hoje, a Samsung atende cerca de 70% dos pedidos de DRAM.
O problema é que a demanda por memória está subindo mais rápido que a oferta. Projeções do mercado apontam que a oferta pode crescer cerca de 23% em 2026, enquanto a demanda pode subir por volta de 35%. A Micron planeja investir cerca de R$ 50 bilhões em uma nova fábrica no Japão, mas essa fábrica só deve começar a fabricar na segunda metade de 2028. Como leva anos para aumentar a capacidade, os preços tendem a ficar altos enquanto o boom de IA continuar. Especialistas afirmam que a crise pode se estender além de 2028.
Para quem monta PC ou pensa em fazer upgrade, a lição é simples: espere que a memória continue cara e planeje com calma. Considere adiar upgrades, procurar módulos usados em bom estado ou focar em outras peças do PC enquanto os preços se estabilizam. Você vai segurar o upgrade ou preferir correr atrás das ofertas agora?