Warhammer 40,000: Boltgun 2 mira a sequência perfeita — veja por que o FPS retrô merece atenção
Warhammer 40,000: Boltgun 2 parece seguir uma regra simples, mas rara em sequências: mexer no bastante para parecer novo, sem desmontar aquilo que fez o primeiro jogo funcionar. Em vez de virar outro tipo de shooter, a continuação aposta em escalada. Há mais armas, mais biomas, mais inimigos e, principalmente, dois protagonistas com estilos bem diferentes. A sensação inicial é de um boomer shooter que entendeu o próprio game feel: velocidade alta, impacto pesado, horda explodindo em pixel e aquela leitura instantânea de arena onde o jogador sabe que sobreviver depende de se mover sem parar.
A grande virada está na escolha de personagem. A campanha não alterna automaticamente entre heróis a cada fase; você escolhe logo no começo da jogatina se vai de Malum Caedo, o Ultramarine que voltou do primeiro game, ou de Nyra Veyrath, uma Sister of Battle da Adepta Sororitas. Isso muda mais do que a skin. Cada um tem kit próprio, mobilidade diferente e uma seleção de armas que empurra o combate para ritmos distintos. Na prática, é uma boa desculpa para zerar de novo sem parecer repeteco.
Nyra é a novidade que mais chama atenção. Ela tem uma pegada mais ágil, com slide em recarga que pode emendar em um salto forte e ativar um efeito de bullet time. O resultado é uma personagem que parece feita para reposicionamento agressivo: entra, queima tudo, desvia e encontra outro ângulo antes de ser cercada. Na demo, duas armas se destacaram: uma besta que atravessa fileiras de inimigos com um impacto seco e intimidador, e um lança-chamas que funciona menos como faísca cosmética e mais como mangueira de incêndio sagrada. É o tipo de arma que ocupa espaço na tela, limpa mob e vende perfeitamente a fantasia de purgar hereges no fogo.
Malum Caedo, por outro lado, é o conforto brutal de quem já passou horas no primeiro Warhammer 40,000: Boltgun. O bolter, a shotgun, a plasma gun e o heavy bolter mantêm a identidade do Space Marine: avanço direto, dano alto e controle de multidão. A habilidade de carga reforça isso, permitindo atravessar inimigos mais fracos como se eles fossem decoração de corredor. A dúvida mais interessante é se o restante do arsenal dele terá surpresas o bastante para competir com o frescor de Nyra. Para veteranos, Malum é o par de botas ensanguentadas que ainda serve; para a sequência, ele precisa provar que também aprendeu truques novos.
Outro ponto importante é a variedade de cenários. A demo apresentou uma área pantanosa, tomada por poxwalkers, e um complexo industrial congelado escondendo horrores demoníacos. Isso responde a uma crítica comum ao primeiro jogo: mesmo quando ele não era só corredor metálico, a aventura frequentemente parecia presa demais a uma mesma textura de guerra industrial. Em Boltgun 2, a promessa de biomas mais contrastantes pode ser mais do que estética. Em um boomer shooter, cenário bom não é só pano de fundo; ele muda distância de engajamento, leitura de ameaça, rotas de fuga e o jeito como a munição vira decisão tática.
A simplificação de sistemas também merece atenção. A granada foi reduzida a um tipo principal para ambos os personagens, e o sistema de resistência que fazia certos inimigos lidarem melhor com determinadas armas foi bastante diminuído. Isso pode ser visto como perda de camada estratégica, mas há um argumento forte a favor: Boltgun 2 parece querer trocar cálculo por fluxo. Menos menu mental, mais improviso. Em um shooter que vive de velocidade, remover fricção pode deixar o combate mais limpo e mais legível, desde que os inimigos e arenas compensem a menor complexidade de regras.
O risco está na linearidade. As missões demonstradas tiveram pouco backtracking e quase nada daquela caça por chave no estilo Doom clássico. Para alguns jogadores, isso será alívio; para outros, pode tirar parte do charme old school. A melhor versão possível de Warhammer 40,000: Boltgun 2 talvez esteja no meio-termo: fases que não virem labirintos cansativos, mas que ainda tenham segredos, caminhos alternativos e aquela sensação de mapear mentalmente o caos enquanto tiros, serras e demônios disputam a tela.
As informações oficiais ampliam esse potencial. A campanha é descrita como ramificada, com caminhos diferentes levando a fases específicas, e o jogo também promete novos mundos, guia de navegação e inimigos inéditos. O detalhe mais saboroso para fãs de Warhammer 40K é a presença das quatro grandes facções ligadas aos deuses do Caos: Nurgle, Tzeentch, Khorne e Slaanesh, além de forças conhecidas retornando. Isso abre espaço para encontros com identidades bem distintas, como unidades de Nurgle focadas em negar área, tropas de Tzeentch com pegada de bullet hell e ameaças de Khorne baseadas em investida e pressão corpo a corpo.
- O que parece funcionar: dois protagonistas com gameplay realmente diferente, armas com feedback forte e cenários mais variados.
- O que ainda precisa provar: se a campanha ramificada terá impacto real ou será apenas seleção de fases com tempero extra.
- O maior perigo: simplificar tanto a estrutura que o jogo perca parte da exploração cascuda que fãs de FPS retrô esperam.
No fim, Warhammer 40,000: Boltgun 2 não parece interessado em reinventar o bolter. E talvez esse seja exatamente o acerto. A sequência mais promissora não é a que joga fora o passado, mas a que entende onde apertar o gatilho de novo: mais mobilidade, mais facções, mais biomas e mais motivos para voltar à carnificina. Se a versão final equilibrar arenas abertas, campanha com rotas significativas e kits bem diferenciados, este pode ser um daqueles casos raros em que a continuação não tenta ser maior por marketing, mas melhor por design.
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