Vultures: Scavengers of Death é um prato cheio para fãs de Zombicide — e consegue transformar cada turno em um dilema

Vultures: Scavengers of Death
Ano: 2026
Gênero: Estratégia
Avaliação: 9/10 1 1

Existe um tipo de jogo que não tenta reinventar o gênero, mas entende tão bem seus fundamentos que consegue prender você do começo ao fim. Vultures: Scavengers of Death é exatamente esse tipo de experiência. Se você gosta de jogos de tabuleiro como Zombicide, provavelmente vai se sentir em casa aqui. A estrutura é diferente, mas a sensação de planejar cada movimento, administrar recursos e sobreviver contra uma horda de zumbis é muito parecida.

A proposta mistura estratégia em turnos com sobrevivência e terror. Você controla um pequeno grupo de agentes enviados para uma cidade devastada por uma infecção, onde cada munição, cada kit médico e cada decisão fazem diferença. Em vez de sair eliminando tudo que aparece pela frente, o jogo frequentemente faz você pensar se vale mesmo a pena entrar em combate ou simplesmente encontrar uma rota segura até o próximo objetivo. Essa administração constante de recursos acaba criando uma tensão que combina muito bem com o clima de apocalipse zumbi.

Cada personagem realmente muda a forma de jogar

Um dos maiores acertos de Vultures está na construção dos personagens. Não são aquelas diferenças superficiais de alguns pontos em atributos. Cada integrante possui habilidades que realmente alteram a maneira como você encara os confrontos e resolve os problemas do mapa.

Isso faz com que montar sua equipe seja quase tão importante quanto executar os turnos. Algumas habilidades favorecem abordagens mais agressivas, enquanto outras recompensam um estilo mais cauteloso e estratégico. Conforme novas possibilidades aparecem, o jogo incentiva experimentar diferentes combinações em vez de simplesmente repetir sempre a mesma estratégia.

Outro ponto positivo é a quantidade de ações disponíveis em cada turno. No início isso pode até assustar. Existe um leque enorme de possibilidades, e entender quando correr, atacar, empurrar inimigos, usar habilidades ou simplesmente economizar recursos leva um tempo. A curva de aprendizado é relativamente alta, mas também é justamente isso que faz cada vitória parecer merecida.

Um survival horror onde pensar vale mais do que atirar

Apesar dos zumbis serem o foco, Vultures não é um jogo sobre exterminar tudo pela frente. A sensação é muito mais próxima dos clássicos survival horrors dos anos 90, onde sobreviver importa mais do que limpar o mapa inteiro.

Em vários momentos percebi que evitar confrontos era simplesmente a decisão mais inteligente. O gerenciamento de munição e recursos cria uma tensão constante, enquanto a exploração recompensa quem presta atenção ao ambiente. É um ritmo bem diferente dos jogos modernos de ação, e isso acaba dando personalidade ao projeto.

Os gráficos são sinceros. Não tentam impressionar pela tecnologia, mas cumprem muito bem seu papel ao construir uma atmosfera pesada e transmitir a sensação de isolamento. O estilo artístico conversa bastante com a proposta retrô do jogo e funciona melhor do que eu esperava.

No Legion Go, só um detalhe atrapalhou

No Legion Go, o desempenho foi excelente. O jogo é bastante leve e rodou sem qualquer problema durante os testes.

Infelizmente existe um detalhe que pesa bastante: não há suporte nativo para controle. Como o Legion Go naturalmente convida a jogar utilizando os controles integrados, isso acaba comprometendo parte da experiência. É perfeitamente possível jogar adaptando os comandos, mas fica claro que o título foi pensado para teclado e mouse. Considerando o restante da experiência, esse talvez seja o ponto que mais senti falta.

Também vale destacar que o jogo chega com interface em português brasileiro, algo sempre bem-vindo para um RPG tático com tantas mecânicas e informações na tela.

Vale o seu tempo

Vultures: Scavengers of Death não tenta revolucionar os jogos táticos em turnos, mas também não precisa disso para funcionar. Ele pega ideias conhecidas, executa muito bem seus sistemas e entrega um combate estratégico que recompensa planejamento muito mais do que improviso.

A curva de aprendizado pode assustar nas primeiras partidas, principalmente pela quantidade de opções disponíveis em cada turno, mas depois que tudo começa a fazer sentido o jogo revela uma profundidade bastante interessante. Some isso a personagens realmente diferentes entre si, boa administração de recursos e uma atmosfera que lembra os clássicos survival horrors, e você tem um jogo que consegue prender por muitas horas.

Minha única crítica fica para a ausência de suporte a controles, algo que faz bastante falta principalmente em dispositivos portáteis como o Legion Go. Tirando isso, encontrei um jogo sólido, competente e fácil de recomendar para quem gosta de estratégia em turnos, sobrevivência e, principalmente, de enfrentar hordas de zumbis pensando antes de agir.

No fim das contas, Vultures: Scavengers of Death é aquele tipo de jogo que talvez não chame atenção pelos gráficos ou pela inovação, mas conquista justamente pela qualidade da sua execução. E às vezes isso é exatamente o que basta.

Por Leo "Blade"

Sou o Leo, geralmente jogo com o nick blade95. Sou apaixonado por jogos de FPS e amo montar PC Gamer! Aqui no Steamaníacos cuido de tudo sobre Hardware, review, preview, testes e novidades para o nosso mundo gamer!

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