HellSlave II: Judgment of the Archon é um RPG sombrio que resgata o charme dos clássicos

HellSlave II: Judgment of the Archon
Ano: 2026
Gênero: RPG
Avaliação: 8/10 1 1

HellSlave II: Judgment of the Archon é aquele tipo de RPG que parece ter sido feito para quem sente falta de uma época em que explorar masmorras, encontrar equipamentos melhores e desbloquear novas habilidades era suficiente para prender a atenção por horas. Desenvolvido pela Ars Goetia, o jogo mistura fantasia sombria, combate por turnos, personalização de personagens e uma boa dose de exploração em um universo que consegue ser familiar e, ao mesmo tempo, bastante estiloso.

O resultado é um RPG que não tenta reinventar completamente o gênero, mas encontra algumas maneiras interessantes de modernizar uma fórmula clássica.

E isso, para mim, é justamente uma das maiores qualidades de HellSlave II.

Uma mistura de Diablo com Senhor dos Anéis

A primeira coisa que chama a atenção é a direção artística.

HellSlave II tem uma identidade visual muito forte, com ilustrações desenhadas à mão, personagens exagerados e cenários dominados por uma fantasia medieval bastante sombria. A sensação que tive em vários momentos foi de estar diante de uma mistura curiosa entre Diablo e Senhor dos Anéis, especialmente pela maneira como o jogo trabalha criaturas, ruínas, ambientes decadentes e uma fantasia que parece estar constantemente à beira do fim do mundo.

A própria premissa ajuda bastante. O mundo foi destruído por milhares de anos de guerra entre seis lordes demoníacos e, diante do caos, os céus decidem enviar o Arconte do Julgamento para simplesmente acabar com tudo. A humanidade recebe uma última oportunidade: eliminar os demônios antes que o próprio mundo seja destruído.

É uma história propositalmente exagerada, mas funciona bem dentro da proposta.

Visualmente, o jogo também consegue fazer algo que considero importante em um RPG independente: ele parece barato apenas quando você olha para os números, não para a tela. Existe bastante personalidade em praticamente tudo que aparece.

Um RPG clássico com visual moderno

A estrutura de HellSlave II é bastante familiar.

Você explora o mundo, entra em masmorras, enfrenta inimigos, encontra equipamentos, aprende habilidades e vai construindo seu personagem aos poucos. É uma fórmula que lembra imediatamente os RPGs clássicos, embora aqui exista uma pegada muito mais sombria.

Durante minhas horas com o jogo, algumas situações me fizeram lembrar de Chrono Trigger e Final Fantasy, principalmente pela estrutura de progressão, pelo prazer de encontrar novos equipamentos e pela importância de habilidades e magias na construção do personagem.

Obviamente, HellSlave II está longe de ser um JRPG tradicional. A apresentação, o combate e a estrutura são completamente diferentes. Mas existe aquela mesma sensação de estar constantemente ficando mais forte e de querer descobrir qual será o próximo equipamento ou habilidade capaz de melhorar sua estratégia.

E essa é uma das coisas que mais funcionam no jogo.

O combate é simples de entender, mas tem bastante profundidade

À primeira vista, HellSlave II parece ter um sistema de combate por turnos bastante convencional.

Você escolhe suas habilidades, ataca, utiliza magias e administra seus recursos. A diferença está na maneira como o jogo trabalha o tempo.

Cada ação possui um peso diferente na linha temporal. Algumas habilidades são mais rápidas, enquanto outras exigem mais tempo para serem executadas. O peso dos equipamentos também interfere nessa dinâmica. Uma arma mais pesada pode causar mais dano, por exemplo, mas também pode fazer com que você demore mais para agir novamente.

Isso cria uma camada estratégica interessante.

Em vez de simplesmente pensar “qual habilidade causa mais dano?”, você começa a pensar também em quando aquela habilidade será executada.

É um detalhe que faz bastante diferença.

Também existe uma quantidade considerável de equipamentos, talentos e habilidades. Os itens não servem apenas para aumentar números: alguns adicionam efeitos específicos e podem acabar mudando completamente a maneira como uma determinada build funciona.

Esse sistema de construção de personagem é provavelmente um dos aspectos mais interessantes do jogo. As impressões que tive é que existe bastante espaço para experimentar combinações e transformar um personagem relativamente comum em algo completamente diferente.

A progressão é uma das melhores partes

Existe uma satisfação muito grande em HellSlave II quando você começa a perceber que seus equipamentos e habilidades estão trabalhando juntos.

Uma habilidade pode complementar outra. Um equipamento pode mudar completamente a eficiência de determinada estratégia. E uma build que parecia pouco interessante inicialmente pode começar a funcionar depois que você encontra os itens certos.

É esse tipo de progressão que me faz continuar jogando RPGs.

O jogo permite começar como Guerreiro ou Feiticeiro e depois especializar o personagem em diferentes classes, com seis caminhos disponíveis e uma árvore de talentos bastante flexível.

Não é simplesmente uma questão de subir de nível e aumentar atributos. Existe uma preocupação maior com a construção do personagem.

A história parece promissora

A história foi outra coisa que me chamou a atenção.

Não cheguei a avançar o suficiente para dizer que HellSlave II possui uma narrativa memorável do começo ao fim, mas a premissa é interessante e existe bastante lore espalhado pelo universo.

O jogo apresenta um mundo destruído, demônios em guerra, uma força celestial prestes a exterminar tudo e personagens tentando sobreviver no meio disso. É um cenário que oferece bastante espaço para desenvolver uma boa história.

Embora existam algumas ressalvas em relação ao desenvolvimento dos personagens e à qualidade de alguns diálogos, fiquei mais interessado em descobrir o que existe por trás daquele mundo do que propriamente envolvido com os personagens neste primeiro momento.

E isso é um bom sinal.

Explorar o mundo é interessante, mas poderia ser melhor

A exploração funciona de maneira diferente durante o combate e fora dele.

No mapa, a câmera passa para uma visão superior e você pode explorar áreas, encontrar inimigos, entrar em masmorras e descobrir elementos da história. A proposta é interessante e ajuda a quebrar a sequência constante de batalhas.

Por outro lado, essa é uma das áreas em que eu acho que o jogo poderia entregar um pouco mais.

O mundo é bonito e tem personalidade, mas nem sempre explorar uma determinada área produz aquela sensação de “o que será que vou encontrar aqui?”. Em alguns momentos, parece mais uma etapa necessária entre uma batalha e outra.

Ainda assim, existe potencial, principalmente porque o universo criado pelo jogo é suficientemente interessante para justificar uma exploração mais profunda.

Jogar no Legion Go é uma ótima experiência

Aqui HellSlave II me surpreendeu positivamente.

Joguei no Legion Go e o desempenho foi muito bom. O jogo é relativamente leve e, ao mesmo tempo, consegue entregar um visual bastante bonito.

Pelo consumo que observei durante minha sessão, acredito que seja perfeitamente possível chegar a algo próximo de duas horas de bateria em uma sessão de jogo. Isso coloca HellSlave II em uma posição muito interessante para quem possui um portátil.

É um RPG visualmente bonito, mas que não exige o mesmo tipo de hardware de um grande lançamento AAA. Os requisitos oficiais também são bastante modestos, com apenas 4 GB de RAM recomendados e placas de vídeo bastante antigas entre os requisitos.

Para mim, é exatamente o tipo de jogo que faz sentido em um aparelho como o Legion Go.

O controle poderia ser muito melhor

Aqui está provavelmente o principal problema que encontrei. Apesar de o jogo oferecer suporte completo a controle, a experiência não me pareceu tão intuitiva quanto deveria.

Frequentemente eu me pegava simplesmente tocando na tela do Legion Go para acessar determinadas opções.

Isso não significa que seja impossível jogar com o gamepad. É perfeitamente possível. O problema é que algumas ações parecem ter sido pensadas originalmente para mouse e teclado e depois adaptadas para o controle.

E em um jogo que combina menus, habilidades, equipamentos, talentos e diferentes telas de gerenciamento, isso acaba aparecendo bastante.

É uma pena, porque o restante da experiência no Legion Go é muito boa.

A trilha sonora poderia ser mais marcante

Outro ponto que me deixou um pouco menos empolgado foi a trilha sonora. Ela funciona e não chega a atrapalhar a experiência, mas poderia ser mais interessante.

Isso fica especialmente evidente porque HellSlave II é exatamente o tipo de RPG que pede uma trilha sonora memorável. Jogos desse estilo têm uma tradição enorme de músicas que acabam ficando na cabeça do jogador e se tornam parte da identidade da experiência.

Aqui, senti um pouco de falta disso. O visual consegue criar uma identidade muito forte. O universo também. O combate tem personalidade. Mas a música não me marcou na mesma proporção.

Não é um problema grave, mas é uma oportunidade perdida.

Um RPG que sabe exatamente o que quer ser

O que mais gostei em HellSlave II: Judgment of the Archon é que ele não parece desesperado para ser alguma coisa que não é.

Ele não precisa de um mapa gigantesco, centenas de horas de conteúdo ou gráficos absurdamente realistas.

É um RPG focado em combate, progressão, equipamentos, habilidades e exploração de um universo de fantasia sombria. E faz isso com uma identidade visual própria.

O sistema de combate consegue adicionar uma camada interessante à fórmula tradicional de turnos, principalmente por causa do gerenciamento de tempo. A enorme quantidade de possibilidades para montar o personagem também ajuda a manter a progressão interessante.

Ao mesmo tempo, alguns problemas impedem que o jogo seja uma experiência perfeita. A exploração poderia ser mais recompensadora, alguns elementos narrativos ainda parecem um pouco irregulares e os controles no gamepad precisam de mais atenção.

Mas são problemas que não conseguem esconder as qualidades do conjunto.

Vale o seu tempo

HellSlave II: Judgment of the Archon é uma ótima opção para quem gosta de RPGs de fantasia sombria e sente falta daquela estrutura clássica de explorar, lutar, encontrar equipamentos melhores e ficar cada vez mais poderoso.

O visual é provavelmente seu maior cartão de visitas. A mistura de fantasia sombria, ilustrações desenhadas à mão e criaturas demoníacas cria uma identidade que me agradou bastante. O combate, por sua vez, consegue pegar uma fórmula conhecida e adicionar uma mecânica de tempo que realmente influencia as decisões.

Também gostei bastante da possibilidade de experimentar diferentes builds e da sensação de progressão proporcionada pelos equipamentos, talentos e habilidades.

No Legion Go, ele se mostrou especialmente interessante. O jogo roda muito bem, é bonito, leve e parece combinar perfeitamente com sessões portáteis de RPG.

Os controles são o principal ponto que eu gostaria de ver melhorado, enquanto a trilha sonora poderia ter um pouco mais de personalidade.

Ainda assim, HellSlave II conseguiu algo que nem todo RPG independente consegue: me dar vontade de continuar jogando para descobrir qual será o próximo equipamento, habilidade ou área que vou encontrar.

E, para um RPG desse estilo, isso talvez seja o mais importante.

Por Leo "Blade"

Sou o Leo, geralmente jogo com o nick blade95. Sou apaixonado por jogos de FPS e amo montar PC Gamer! Aqui no Steamaníacos cuido de tudo sobre Hardware, review, preview, testes e novidades para o nosso mundo gamer!

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