Reap and Rush: um roguelike bonito, divertido e viciante que ainda precisa de alguns ajustes
Reap and Rush é um daqueles jogos que você começa pensando que vai jogar por alguns minutos e, quando percebe, já está tentando descobrir qual combinação de habilidades vai transformar seu personagem em uma máquina de destruir inimigos.
O conceito não é exatamente novo. Estamos falando de um action roguelike no estilo survivors, com hordas de inimigos, habilidades que vão sendo adquiridas durante a partida, evolução do personagem e progressão permanente entre as tentativas. Mas o jogo encontra uma maneira bastante própria de apresentar essa fórmula.
E boa parte disso vem de sua ambientação.
Em vez de simplesmente colocar o jogador em mais um cenário medieval genérico, Reap and Rush mergulha em uma versão fantástica do submundo baseada em elementos da mitologia chinesa. O jogador assume o papel de um emissário enviado para resolver o caos causado pelo desequilíbrio entre o mundo dos vivos e o submundo. O problema é que a reencarnação deixou de funcionar e Zhong Kui, seu chefe, desapareceu.
É uma premissa curiosa, e o jogo sabe aproveitar muito bem esse universo.
Uma das coisas que mais chama atenção é a arte
Reap and Rush é um jogo bonito.
A direção artística foi uma das primeiras coisas que me chamou atenção durante o gameplay. Os personagens possuem bastante personalidade e o visual mistura fantasia oriental, criaturas sobrenaturais e um estilo cartunesco que consegue ser engraçado sem destruir a atmosfera do submundo.
É uma combinação bastante peculiar.
Os inimigos também ajudam bastante nesse aspecto. Em vez de termos simplesmente centenas de criaturas praticamente iguais avançando em nossa direção, existe uma preocupação maior em criar inimigos visualmente distintos.
E isso acaba dando ao jogo uma identidade própria.

A fórmula de survivors continua funcionando
Se você já jogou jogos como Vampire Survivors, Halls of Torment, Magicraft ou Nordic Ashes, vai entender rapidamente o que Reap and Rush quer fazer.
Você entra em uma área, começa a enfrentar ondas de inimigos e vai coletando recursos enquanto tenta sobreviver.
Conforme avança, aparecem novas possibilidades de habilidades e melhorias. E é aqui que o jogo começa a ficar realmente interessante.
A graça não está apenas em ficar mais forte.
Está em descobrir uma combinação que funcione.
Uma habilidade pode complementar outra, determinados poderes podem criar uma sinergia inesperadamente poderosa e, conforme a partida avança, o personagem começa a se transformar completamente em relação ao que era nos primeiros minutos.
E essa é justamente a característica que faz esse tipo de jogo funcionar.
Você termina uma partida pensando que poderia ter feito algumas escolhas diferentes. Então começa outra.
E tenta de novo.
O combate é simples, mas fica cada vez mais caótico
A mecânica básica é fácil de entender.
Você movimenta o personagem enquanto as habilidades fazem o trabalho pesado. O objetivo é sobreviver às ondas de inimigos e escolher melhorias que façam sentido para a build que você está construindo.
No começo, tudo é relativamente controlado.
Depois, o inferno começa.
Literalmente.
A quantidade de inimigos aumenta, os efeitos começam a ocupar a tela e você passa a precisar prestar atenção não apenas nos inimigos, mas também nas áreas perigosas, projéteis e oportunidades de ataque.
Essa escalada de intensidade funciona muito bem.
Também existe um pequeno problema: quando a quantidade de efeitos e inimigos fica muito grande, pode ficar difícil enxergar exatamente o que está acontecendo. É praticamente um problema inerente ao gênero, mas poderia ser melhor administrado com opções para reduzir a opacidade dos efeitos.

O jogo tem uma progressão que dá vontade de continuar
Uma das coisas que mais gostei é que Reap and Rush não depende exclusivamente daquilo que você consegue fazer durante uma partida.
Existe uma progressão permanente, com novos personagens, melhorias e desbloqueios.
Isso é importante porque significa que mesmo uma tentativa que terminou mal ainda pode contribuir para a próxima.
É aquela velha fórmula:
“Dessa vez não deu. Mas agora eu desbloqueei isso. Então talvez na próxima…”
E pronto.
Você começa outra partida.
Porém, o personagem parece um pouco lento no começo. Não chega a ser algo que estrague a experiência, mas os primeiros minutos poderiam ser mais ágeis. Conforme você consegue melhorias de movimentação e outras habilidades, a sensação melhora.
É um daqueles problemas pequenos que podem fazer bastante diferença na primeira impressão.
O tutorial fala demais
Esse foi um dos pontos em que minha experiência foi mais crítica.
O tutorial tem texto demais. Inclusive uma das falas do personagem do jogo é reclamando da quantidade de texto.
Para um jogo cuja proposta é relativamente simples, algumas instruções poderiam ser apresentadas de maneira muito mais direta. Durante o gameplay, fiquei várias vezes com aquela sensação de:
“Tá, eu entendi. Deixa eu jogar.”
O jogo interrompe bastante a progressão inicial para explicar sistemas que poderiam ser apresentados naturalmente.
E isso é particularmente frustrante porque, quando você finalmente passa dessa parte, a experiência melhora bastante.
Reap and Rush fica mais interessante quando simplesmente deixa você jogar.

O desempenho no Legion Go merece atenção
Aqui está o ponto mais importante do meu teste.
Joguei Reap and Rush no Legion Go, utilizando o modo de desempenho, ventoinha no máximo e gamepad.
O desempenho ficou geralmente entre 40 e 60 FPS, mas encontrei vários momentos de stuttering.
O comportamento foi particularmente perceptível quando:
- uma habilidade era utilizada pela primeira vez;
- novos inimigos apareciam;
- efeitos especiais eram carregados;
- eu entrava em determinadas áreas;
- aconteciam eventos mais intensos.
Durante o gameplay, inclusive, levantei a possibilidade de parte disso estar relacionada ao fato de o jogo estar instalado no cartão de memória, e não no SSD interno do Legion Go.
Não considero isso uma conclusão definitiva, principalmente porque o teste foi realizado em uma versão de pré-lançamento. Mas o problema existiu e foi perceptível.
Por isso, eu teria um pouco de cautela antes de dizer que Reap and Rush é perfeitamente otimizado para portáteis.
E a bateria?
Aqui tivemos uma surpresa menos agradável.
Comecei o teste com 95% de bateria. Depois de aproximadamente 15 minutos de gameplay, o Legion Go estava em 73%. Ou seja, foram consumidos cerca de 22 pontos percentuais em 15 minutos.
Mantendo exatamente esse ritmo, estamos falando de aproximadamente 1 hora e 10 minutos de autonomia total.
É claro que isso não deve ser interpretado como uma medição científica da duração da bateria — configurações gráficas, TDP, temperatura, brilho e outros fatores interferem bastante.
Mas é um indicativo importante.
Reap and Rush é um jogo que parece leve visualmente, mas no Legion Go estava exigindo bastante da GPU. Durante o teste, ela ficou em 100% praticamente o jogo todo.
Portanto, quem pretende jogar exclusivamente em um portátil provavelmente vai querer experimentar diferentes configurações gráficas e de TDP.

A trilha sonora combina com o jogo
Aqui a impressão foi melhor.
A trilha não é necessariamente o elemento que vai fazer você comprar Reap and Rush, mas combina bem com a proposta e ajuda a construir o clima do submundo.
É uma escolha adequada para um jogo em que a tela rapidamente fica cheia de inimigos e efeitos.
A falta do nosso idioma, no entanto, pesa contra. Reap and Rush não possui português do Brasil. E o jogo tem bastante texto, especialmente durante a introdução e explicação dos sistemas.
Isso significa que alguém que não domina inglês pode ter uma experiência consideravelmente pior, principalmente porque parte da graça está justamente em entender o funcionamento das habilidades, melhorias e progressão.
Não chega a ser um problema técnico do jogo, obviamente, mas é uma barreira importante para jogadores brasileiros.
Pequenos problemas ainda aparecem
Além do stuttering, encontrei outros sinais de que o jogo ainda poderia receber algum polimento.
Encontrei pequenos bugs, erros de texto e interface travada em alguns momentos. Nenhum deles parece ser suficiente para comprometer a experiência como um todo.
Mas, somados, deixam claro que ainda existe espaço para o jogo ser refinado.
Reap and Rush é melhor do que parece
Talvez essa seja a melhor maneira de resumir minha experiência.
Olhando rapidamente para Reap and Rush, pode parecer apenas mais um survivors-like.
E, tecnicamente, é exatamente isso.
Mas existe uma diferença importante entre um jogo simplesmente copiar uma fórmula e conseguir fazer essa fórmula funcionar.
Reap and Rush funciona.
A combinação entre a direção artística, os personagens, a ambientação baseada em mitologia chinesa, as possibilidades de builds e a progressão permanente faz com que exista personalidade aqui.
E isso é importante em um gênero que atualmente possui uma quantidade enorme de jogos.
Você precisa de alguma coisa que faça o jogador lembrar especificamente do seu jogo.
Reap and Rush encontrou essa coisa.

Vale o seu tempo
Reap and Rush é um action roguelike bastante divertido, bonito e surpreendentemente viciante.
Não é um jogo que vai revolucionar o gênero, mas também não precisa.
Sua maior qualidade está em pegar uma fórmula conhecida e colocar dentro de um universo visualmente muito interessante, com personagens carismáticos, bastante variedade de habilidades e uma progressão que realmente incentiva novas partidas.
Também fica a sensação de que uma localização em português faria bastante diferença para o público brasileiro.
No fim, Reap and Rush é exatamente o tipo de jogo que pode roubar algumas horas da sua vida sem você perceber.
Você entra para jogar uma partida. Quando percebe, já está pensando em qual build vai testar na próxima.
Sou o Leo, geralmente jogo com o nick blade95. Sou apaixonado por jogos de FPS e amo montar PC Gamer! Aqui no Steamaníacos cuido de tudo sobre Hardware, review, preview, testes e novidades para o nosso mundo gamer!