Fallout: New Vegas: Chris Avellone diz que a Bethesda usou notas de review contra a Obsidian
Nem todo clássico é tratado como clássico. Nesta quarta-feira, 22 de abril de 2026, voltou a circular uma história bem amarga dos bastidores de Fallout: New Vegas: em entrevista ao canal TKs-Mantis, o roteirista Chris Avellone disse que a Bethesda usou as notas das DLCs contra a Obsidian e ainda colocou o estúdio para assistir a uma apresentação listando tudo o que, na visão da publisher, tinha dado errado. É o tipo de relato que deixa a gente olhando torto, porque parece menos discussão criativa e mais sermão corporativo com slide bonito.
O peso disso aumenta porque estamos falando de Fallout: New Vegas, RPG lançado em 19 de outubro de 2010, desenvolvido pela Obsidian e publicado pela Bethesda, com sistemas que ajudaram a definir sua identidade até hoje, como reputação entre facções, Companion Wheel e Hardcore Mode. Já a expansão Dead Money, citada na conversa, saiu em 21 de dezembro de 2010 e apostou num clima quase survival horror, tirando os equipamentos do jogador e forçando uma progressão mais travada, punitiva e desconfortável de propósito. Era uma ideia ousada; o problema é que ousadia, quando cai na mesa da planilha, costuma virar pecado.
E os números ajudam a entender por que essa fala pegou tão forte. Dead Money ficou com Metascore 70 no Xbox 360 e no PC, além de 68 no PS3, então quando Avellone diz que review score foi usado como argumento contra a equipe, não estamos falando de um detalhe abstrato: havia nota concreta, recepção mista e munição pronta para cobrança interna. A promessa era expandir Fallout com uma experiência mais estranha e experimental; a realidade, pelo visto, foi tomar bronca porque a expansão não se encaixou no molde mais seguro.
No fim, fica aquela ironia pesada que a gente conhece bem no mundo dos RPGs: Fallout: New Vegas envelheceu como cult, ganhou respeito com o tempo e segue lembrado justamente pela personalidade, mas os bastidores descritos por Avellone apontam para um ambiente onde nota agregada pesava mais do que contexto e risco criativo. Se essa leitura estiver correta, é mais um caso clássico de indústria cobrando inovação no discurso e punindo diferença na prática.