#CrossCode

Alabaster Dawn

A Little Legendary revelou SHADE Protocol como o novo ponto de encontro entre dois nomes que carregam peso no nicho dos RPGs de ação em pixel art: CrossCode e Alabaster Dawn. A proposta é tentadora logo de cara. De um lado, temos CrossCode, lançado em 2018, um action RPG que virou cult por misturar combate rápido, puzzles densos, progressão de personagem e uma pegada sci-fi com cara de MMO fictício. Do outro, está Alabaster Dawn, novo projeto da Radical Fish Games, que entrou em acesso antecipado em 7 de maio de 2026 e ainda está no começo da própria jornada. No meio desse encontro aparece SHADE Protocol, um Metroidvania 2D de cyber-fantasia sobre música, código, máquinas e realidade sendo reescrita.

O anúncio confirma que a colaboração não será apenas uma arte bonitinha para farmar hype. A Radical Fish Games afirma que o crossover está planejado para trazer conteúdo tanto para SHADE Protocol quanto para Alabaster Dawn, incluindo chefes secretos inspirados em CrossCode e Alabaster Dawn, habilidades temáticas, participação musical como meta de campanha e até a possibilidade de conteúdo maior caso objetivos extras sejam alcançados. Para Alabaster Dawn, os planos incluem artes divinas inspiradas em SHADE Protocol e Zura, protagonista de SHADE Protocol, como visual jogável para Juno em um modo roguelite.

A ideia é muito boa no papel, porque os três jogos falam a mesma língua: combate técnico, pixel art caprichada, mundos estranhos e sistemas que não têm medo de exigir atenção do jogador. CrossCode já provou que esse tipo de design pode funcionar em grande escala, com uma aventura longa, cheia de masmorras, segredos e batalhas que cobram reflexo e leitura de padrão. SHADE Protocol, por sua vez, tenta levar essa herança para outro eixo, apostando em exploração lateral, formas DAWN e SHADE, instrumentos como armas, parry, contra-ataques e uma mecânica de “recodificar” a realidade.

Mas é justamente aí que entra a parte crítica. Alabaster Dawn acabou de chegar ao acesso antecipado. A própria página do jogo deixa claro que a versão inicial cobre apenas parte da história, com algo em torno de 6 a 10 horas de conteúdo, enquanto a versão completa pretende ter 7 capítulos e cerca de 40 horas. O estúdio também estima que o desenvolvimento em acesso antecipado deve durar pelo menos dois anos. Ou seja: colocar um collab no radar agora pode soar como um movimento ousado demais para um jogo que ainda precisa provar consistência, cadência de updates e fechamento narrativo.

A boa notícia é que a Radical Fish Games parece ciente desse risco. O estúdio afirma que o conteúdo de colaboração está sendo planejado para não atrasar o desenvolvimento dos jogos e que, no caso de Alabaster Dawn, a prioridade continua sendo completar o game antes de empurrar o crossover para o centro da produção. Isso muda bastante a leitura do anúncio: em vez de parecer uma distração, o collab pode funcionar como uma vitrine de longo prazo, desde que fique no lugar certo da fila.

No fim, SHADE Protocol não precisa ser “o novo CrossCode” nem “o Alabaster Dawn cyberpunk” para justificar sua existência. O potencial mais interessante está em ser um laboratório onde ideias parecidas ganham outra câmera, outro ritmo e outra fantasia. Se CrossCode é o veterano que já zerou a própria raid, e Alabaster Dawn é o novato promissor ainda upando no acesso antecipado, SHADE Protocol entra como o terceiro player tentando montar uma build própria com peças dos dois mundos.

Por enquanto, SHADE Protocol tem um pitch forte, nomes interessantes ao redor e uma campanha comunitária marcada para 4 de junho de 2026 no Kickstarter. Agora falta o mais difícil: transformar referência em identidade própria e provar que esse crossover não é só um trailer estiloso, mas um motivo real para os fãs ficarem de olho.