#Shooters

Shooters

HYPERWIRED chegou à Steam em 2 de julho como um shooter top-down 2D com elementos de roguelike, naves desbloqueáveis, geração procedural e um sistema central baseado em “plugue e tomada” para gerenciar recursos. A própria página do jogo já deixa claro o tom da experiência: aqui não basta atirar bem, é preciso se conectar, recarregar energia, administrar upgrades e sobreviver a uma ação que claramente aposta na pressão constante.

E é exatamente isso que define HYPERWIRED: ele não tenta ser um jogo gentil. É uma navinha fast-paced, com muita coisa acontecendo ao mesmo tempo na tela, já na primeira fase, e isso deixa bem claro que não estamos diante de uma experiência para qualquer um — inclusive, eu me incluo nessa categoria. A premissa é simples, mas o jeito como ela é executada complica tudo de um jeito que exige reflexo, atenção e uma cabeça fresca para acompanhar a bagunça organizada que o jogo propõe.

Neste momento podemos ver que eu não tinha uma estratégia!

Você está em uma espécie de arena e precisa ligar sua nave em tomadas de cores específicas antes de acessar a tomada final e passar de fase. Enquanto faz isso, minúsculas naves inimigas vêm na sua direção o tempo todo, e a sua resposta para sobreviver é um kit que mistura tiro, bombas, laser e gerenciamento de energia. Ainda tem a coleta de chips e baterias para melhorar a nave, embora eu seja sincero: essa parte eu não consegui entender direito. Também existem naves auxiliares que você recruta ao levá-las para uma tomada de cor específica, o que adiciona mais uma camada ao caos geral.

O jogo também trabalha com recursos que fazem diferença o tempo inteiro. Se eu não estiver esquecendo nenhum, são pelo menos quatro: vida, energia, munição e os escudos temporários. A vida cai a cada hit, a nave inicial tem quatro pontos, se acabar, game over sem dó. A energia é o seu combustível, se ela acabar você simplesmente para de se mover. Se a munição esgotar, você fica sem usar bombas. Além disso, existe um recurso de carga de emergência para situações em que a energia zera, o que ajuda um pouco, mas não transforma o jogo em algo mais fácil. Na prática, HYPERWIRED quer que você pense rápido o tempo todo — e eu honestamente não tive essa disposição toda.

Também tem a questão do controle. Eu não sou especialista em jogos feitos para controle, e a dinâmica de mover e atirar usando sticks definitivamente não é para mim. Mesmo tentando no teclado, não tive muito mais sucesso. São coisas demais para gerenciar ao mesmo tempo, e o jogo parece ter sido desenhado para quem gosta de encarar esse tipo de desafio sem piscar. Para quem curte esse nível de exigência, beleza. Para mim, foi pesado demais.

Aqui já ficou claro que eu não sabia o que estava fazendo

Mas HYPERWIRED tem identidade. O cabo que prende a nave à tomada muda a lógica do combate e deixa tudo mais tenso, e a ideia de administrar energia, armas, posicionamento e objetivo ao mesmo tempo dá ao jogo uma personalidade própria. Não é só um shooter comum com visual retrô. O jogo parece até mais tático do que a média dos shooters por causa das mecânicas, além do pixel art limpo e do sistema de slow-motion, que ajuda bastante a respirar no meio da confusão.

Visualmente, não tenho grandes reclamações. Os gráficos são decentes, fazem o serviço e ajudam o jogo a manter sua leitura mesmo com tanta coisa acontecendo na tela. A trilha sonora e os efeitos sonoros são simples, mas funcionais. Nada aqui tenta roubar a cena da jogabilidade; tudo existe para sustentar a ação e a pressão constante. E, nesse sentido, HYPERWIRED funciona.

No fim, é um jogo bem otimizado, leve e com uma proposta clara: agradar quem gosta de dificuldade, gestão de recursos e reflexo rápido. Para mim, ele foi difícil demais e até cansativo em alguns momentos, mas isso não muda o fato de que há personalidade aqui. Eu deixo HYPERWIRED para as mentes mais ágeis, mais frescas e mais determinadas a encarar um bom desafio. Para quem gosta desse tipo de correia apertada no espaço, ele tem cara de jogo para render bastante.

E aqui minha tela preferida, aquele momento de refletir sobre a própria falta de dedos!

Vale o seu tempo?

Se você gosta de shooter difícil, mecânica diferente e não se incomoda com uma curva de aprendizado agressiva, sim. Se a ideia é apenas relaxar e sair explodindo inimigos sem pensar muito, melhor passar longe. HYPERWIRED não quer ser confortável — e justamente por isso ele chama atenção.