#Warhammer Age of Sigmar: Deathmaster

Warhammer Age of Sigmar: Deathmaster

Warhammer Age of Sigmar: Deathmaster foi revelado durante o Warhammer Skulls de 21 de maio de 2026 como um jogo solo de ação e plataforma 2D, desenvolvido pela Old Skull Games e publicado pela Dotemu, com lançamento planejado para 2027. A grande virada não está só no gênero: pela primeira vez, um jogo independente coloca os Skaven, os homens-rato mais traiçoeiros dos Reinos Mortais, no centro da campanha em vez de tratá-los apenas como horda para farmar abates.

No papel principal está Vihneek, um assassino encapuzado que quer subir na hierarquia do Clã Eshin, o lado mais ninja, sorrateiro e absolutamente sem honra da sociedade Skaven. A promessa é simples e bem cruel: esgueirar-se pelas sombras, montar emboscadas, usar o cenário a favor, passar batido quando o confronto for burrice e, quando chegar a hora, finalizar inimigos de formas sangrentas. O material oficial também destaca ameaças que vão de Skaven covardes a ogros-rato, reforçando que o game não deve ser só sobre apertar botão de ataque, mas sobre escolher o momento certo para ser covarde do jeito mais eficiente possível.

Essa escolha de protagonista é mais esperta do que parece. Os Skaven funcionam porque são, ao mesmo tempo, piada grotesca e horror social: uma civilização movida por fome, paranoia, sabotagem, inveja e engenharia irresponsável. A própria lore de Warhammer descreve a sociedade Skaven como uma rede de clãs que vivem disputando poder, traindo aliados e tentando escalar posições em uma pirâmide onde todo mundo está pronto para empurrar o colega no moedor. Dentro desse caos, o Clã Eshin ocupa o nicho de furtividade e assassinato, enquanto outros clãs se especializam em máquinas de pedra-bruxa, pragas ou monstruosidades mutantes.

É por isso que Warhammer Age of Sigmar: Deathmaster tem potencial para ser mais do que um metroidvania sombrio com skin famosa. Um Deathmaster não é um herói clássico. Na lore de mesa, esse tipo de assassino é apresentado como matador de alvos importantes, equipado com armas envenenadas e truques sujos feitos para derrubar inimigos acima do seu peso. Deathmaster Snikch, o exemplo mais famoso ligado ao Clã Eshin, virou símbolo dessa fantasia: não um guerreiro honrado, mas uma lâmina ambulante feita para entrar, apagar alguém do mapa e sumir antes que a vítima entenda o que aconteceu.

O ponto mais interessante é que um jogo 2D pode traduzir essa fantasia melhor do que um RPG grandão ou um RTS tradicional. Em vez de vender Vihneek como um ninja invencível, a melhor leitura seria abraçar a covardia como mecânica. O loop ideal para um Skaven não é limpar a sala como um herói de anime; é observar patrulhas, montar armadilhas, apagar luzes, atrair um brutamontes para o lugar errado, roubar vantagem e fugir quando o plano der ruim. Se o game entender isso, cada fase pode virar um pequeno tabuleiro de maldade, onde vencer bonito importa menos do que sobreviver sujo.

Esse recorte também diferencia Warhammer Age of Sigmar: Deathmaster de adaptações recentes de Age of Sigmar nos games. Storm Ground se apoiava em batalhas táticas, enquanto Realms of Ruin apostava em estratégia em tempo real. Deathmaster, por outro lado, aproxima o universo de um game de ação lateral com stealth, exploração e combate corpo a corpo, ou seja, troca a visão de comandante pelo desespero de uma lâmina pequena tentando virar lenda dentro de um esgoto político cheio de dentes.

O histórico das equipes dá bons motivos para prestar atenção, mas também pede cautela. A Old Skull Games lançou Cryptical Path, um roguelite de ação com pegada de hack and slash e construção de salas, o que sugere familiaridade com progressão, mobilidade e leitura de cenário. Já a Dotemu vem construindo uma identidade forte em revivals e jogos de ação com alma arcade, citando no próprio material projetos como Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge, Streets of Rage 4, NINJA GAIDEN: Ragebound e Absolum. A combinação não garante hit automático, mas indica uma curadoria mais alinhada a controle responsivo e pancadaria estilosa do que a simples caça a licença famosa.

Também vale segurar o hype no freio de mão: a página oficial ainda lista o jogo para 2027, sem avaliações de usuários, e descreve a proposta em termos amplos, com ação 2D, furtividade, mundo instável e conteúdo violento. A tag de metroidvania aparece na loja, mas isso não deve ser lido como promessa fechada de mapa interconectado gigante até que gameplay mais longo confirme estrutura, upgrades, backtracking e ritmo de progressão. Por enquanto, o que existe é uma premissa muito forte: transformar a podridão Skaven em design de fase.

Se acertar, Warhammer Age of Sigmar: Deathmaster pode entregar algo que falta em muitos jogos de Warhammer: uma campanha que não tenta fazer o jogador se sentir nobre, poderoso ou escolhido, mas sim oportunista, paranoico e brilhantemente desprezível. Para os fãs, esse é exatamente o charme. Afinal, no submundo Skaven, vencer não é ser o melhor. É garantir que todos os outros morram antes de você, sim-sim.