#Jogos Cooperativos
A semana passada foi particularmente boa para quem gosta de jogar acompanhado. O Steam recebeu dezenas de lançamentos com algum modo cooperativo — de party games para oito pessoas no mesmo sofá a survival horrors online onde você e cinco amigos exploram locais assombrados no Japão. Para facilitar a busca, dividimos tudo em dois grandes grupos: co-op local, para quem joga no mesmo PC ou com controles na mesma sala, e co-op online, para quem se encontra pela internet. Confira:
Co-op Local
O melhor ponto de partida para uma noite com amigos no sofá veio na forma de SharedScreen Wagons 2 — um party game local para até 8 jogadores, 8 gamepads e 3 teclados simultâneos, com rodadas rápidas, torneios e o que o próprio jogo descreve como “testes de amizade”. Rodadas rápidas, placar visível, e a promessa de alegria e sofrimento no mesmo round. É o tipo de jogo que você instala às 20h e desinstala às 2h da manhã com metade dos amigos sem se falar.
Se o grupo prefere algo com um pouco mais de objetivo, Trolley Time é um ótimo substituto: animais fofos fazem compras de mercado e você e até três amigos precisam entregar o máximo de mantimentos possível antes do tempo acabar. Soa tranquilo até a primeira vez que alguém derruba o carrinho inteiro. Da mesma escola do caos organizado, Hunters in the Dark divide o grupo em caçadores de tesouro e caçadores de sombra numa arena semi-procedural — rounds rápidos, poções surpresa e muita traição entre rodadas. Fechando o grupo, Barbecue já foi coberto aqui antes: é o Overcooked do churrasco, com toda a pressão e o humor que isso implica para 1 a 4 jogadores.

Para quem prefere pensar junto em vez de entrar em pânico junto, TEAM PANIC é uma aventura cooperativa cinemática para dois jogadores que resolvem puzzles juntos com foco em trabalho em equipe — e em momentos engraçados ao longo do caminho. O nome é uma mentira deliciosa: o jogo é tenso, mas de um jeito que te faz rir. Na mesma linha de dois jogadores, The Unrealtor coloca uma dupla em uma visita imobiliária que vai se tornando arquitetonicamente impossível, com puzzles de perspectiva que só funcionam quando cada pessoa vê uma parte diferente da tela dividida. É o terror do mercado imobiliário, mas de um jeito filosófico e muito criativo.
Para quem quer algo com mais ação misturada ao puzzle, Wizzerd Quest 2 é um RPG de primeira pessoa retrô com cutscenes live-action completamente descontroladas, co-op em tela dividida completo, chefes empolgantes e um mundo aberto para explorar. É uma sequência autônoma do clássico shareware Wizzerd Quest, e o humor nonsense é tão parte da identidade do jogo quanto o próprio gameplay. Por fim, Operation PLUSH e Crazy Fruit Shooter completam o grupo — o primeiro com pelúcias sobrevivendo em fábricas abandonadas, o segundo com um personagem transformado em fruta que precisa atirar em hordas de vegetais. Os dois têm suporte local e online, mas brilham com alguém do lado.

Co-op Online
O maior lançamento de terror da semana já foi destaque em outras matérias nossas, mas merece repetição: Backrooms Lost Runners chegou ao Early Access com 89% de avaliações positivas e mais de 100.000 wishlists acumulados. Co-op para até quatro jogadores, sistema de sanidade que colapsa com a escuridão, mortes que te mandam para uma dimensão paralela e narrativa ambiental construída por diários e disquetes espalhados pelos corredores. É o melhor jogo de Backrooms disponível no Steam agora, de longe.
Se você quer horror no espaço em vez de corredores liminares, Dead Station Together é a escolha certa: 1 a 4 jogadores numa estação espacial tomada por infectados, com objetivos claros de recuperar amostras de DNA e resgatar a tripulação sobrevivente. A estrutura orientada a missões é o que o diferencia da maioria da concorrência do gênero. Já Obscuris aposta em um cenário completamente diferente: horror co-op para 1 a 6 jogadores ambientado no Japão contemporâneo, com colegiais explorando locações assombradas à noite, coletando objetos obscuros enquanto fogem antes do amanhecer. Locações parcialmente geradas proceduralmente e personalização de personagem.

Morbus completa o quarteto de terror com uma premissa que só pode ter vindo de uma game jam ou de um sonho muito específico: quatro jogadores exploram locais abandonados e perigosos à procura do esconderijo secreto de Garry Duckfort, um magnata dos patos. Sim. É terror cooperativo com humor absurdo embutido, e isso já é motivo suficiente para dar uma chance. Quem quiser uma versão mais minimalista e atmosférica pode experimentar Backrooms: The Void, uma entrada mais contemplativa no gênero Backrooms com foco em exploração solitária ou em dupla de dimensões vazias e perturbadoras.
Indo para os jogos de sobrevivência, SYLVA é o survival mais completo da semana: mundo aberto em uma ilha deserta, combate contra guerreiros esqueletos, construção de base, coleta de loot e um sistema de progressão de RPG. Para quem prefere o tipo de survival sem combate direto com foco em progressão tecnológica e exploração, MAK: Survival oferece mundos distintos para explorar com amigos, construção de bases com mais de 150 peças, 200+ itens e a promessa de evoluir da Idade da Pedra até a era moderna — tudo em servidores dedicados que você mesmo pode configurar. E para quem quer o survival mais direto possível, Zombie Wasteland Together entrega exatamente o que o nome promete: até 4 jogadores num deserto pós-apocalíptico cheio de infectados, armas poderosas e hordas intermináveis.

Focando no tiroteiro, SWAPMEAT é um roguelite de tiro com 92% de aprovação onde você literalmente arranca membros de inimigos alienígenas e os usa no próprio corpo, alterando suas habilidades em tempo real. Co-op para até 4 jogadores, trilha sonora do compositor de Journey e Hades II. É o melhor jogo de tiro da semana sem discussão.
Purge Directive é um FPS co-op online para 1 a 4 jogadores contra ondas intermináveis de mortos-vivos, com pontos por abate e upgrades de arsenal entre rodadas — a fórmula clássica do modo horda executada de forma limpa. Hold The Line complementa com uma camada de tower defense por cima da mesma premissa de zumbis e defesa cooperativa. Já TD Run: Survivors mistura tudo ao mesmo tempo: roguelike, bullet hell e tower defense em um só jogo, onde builds e táticas em tempo real importam tanto quanto reflexo.

Vamos suavizar agora e ir para os coops da bagunça? Two Types Pollos é o mais surreal: você administra uma lanchonete de frango na fachada enquanto fabrica “açúcar” nos fundos — e precisa cumprir pedidos para conseguir o remédio que te mantém vivo. É um simulador de gerenciamento e sobrevivência com uma camada de narrativa sombria que ninguém esperaria do tema. Chopping Together é mais direto: você e até três amigos estão presos em uma floresta com um objetivo — cortar todas as árvores em vista, juntar madeira, ganhar dinheiro e fazer upgrades. Loop simples, execução satisfatória.
BunnyBakery traz a mesma energia de caos culinário mas numa confeitaria de coelhinhos — decora, assa, serve, não queima. E Burger Bots Inc aplica a fórmula ao fast food robótico, com robôs montando hambúrgueres em linha de produção enquanto tudo tenta dar errado ao mesmo tempo. Os dois são candidatos naturais para sessões rápidas com quem não quer um jogo pesado mas quer se divertir muito.

RELOADIAN chegou ao Early Access como roguelite de ação 2.5D com co-op para até 4 jogadores online, combate rápido que mistura corpo a corpo e à distância, e progressão de build por Cores e upgrades de Codex. Phantom Fools é o roguelike mais criativo do grupo: você joga como fantasma travesso que possui objetos, coleta upgrades, se transforma em chefes e tenta escapar de um castelo assombrado. A mecânica de possessão cria situações cômicas e estratégicas em igual medida. E Git Gud é literalmente um jogo sobre ficar melhor em jogos difíceis — um roguelite de ação que não esconde que vai te matar muito antes de você entender o que está acontecendo.
Wild Climbers: Peak Panic é o mais competitivo do grupo: partidas online de 2 a 10 jogadores com 3 minutos para chegar ao topo de uma montanha cheia de obstáculos loucos. É Fall Guys numa montanha, e o ritmo frenético garante que nenhuma partida dure tempo suficiente para enjoar. Car Parkour 2 Together traz a física absurda do parkour automotivo em co-op para dois e a promessa de destruir amizades de forma espetacular. Fechando o grupo, Parkour & Freerunning é o mais completo em termos de movimentação: correr, pular, nadar, escalar, fazer wall-run, rolar, girar, se equilibrar, se arrastar, deslizar, pendurar, balançar e zipline — tudo isso em locações artesanais e geradas proceduralmente com time trials, corridas, pontuação de manobras e esconde-esconde multiplayer.

Para fechar, alguns lançamentos que têm co-op mas não se encaixam em nenhuma das categorias acima. Gloria Victis: Medieval MMORPG é o relançamento gratuito do MMORPG medieval que já foi destaque na nossa matéria de lançamentos — PVP em mundo aberto, cercos, guildas e 72% de aprovação recente. Defi’s Devotion é assimétrico e único: você joga como a própria praga, infectando populações, colapsando economias e colhendo os mortos para se tornar um lich — enquanto uma simulação adaptativa do mundo tenta resistir. Null Hørizøn é um space sim retrô-futurista com sprites 2D em espaço 3D, combate tático em tempo real, exploração por grid e contrabando intergaláctico.
Sneaky Bimbuls traz furtividade e puzzles em co-op. Break the Chain e Trail & Error completam com ação e exploração cooperativa. LIMINAL ESCAPE aposta no horror de espaços entre espaços. Max’s Jungle Odyssey é uma aventura de plataforma em selva com co-op leve. Zyntaris traz RPG de ação com progressão online. E o PoopooDino — sim, ele tem co-op: o dino desktop pode invadir o computador de amigos e deixar surpresas, o que conta como a forma mais caótica de multijogador assíncrono da semana.
Essa quinta-feira não trouxe nenhum blockbuster anunciado em trailer da E3, mas trouxe algo talvez mais interessante: quatro jogos que apostam tudo em uma ideia específica e a executam bem. Vamos começar pelo mais tenso dos quatro.
Se você gosta de horror cooperativo, sabe que o gênero vive de uma tensão específica: a confiança de que seus amigos vão cobrir suas costas, e o medo de que talvez não consigam. Dead Station Together entrega exatamente isso. Uma estação espacial remota foi consumida por um surto mortal, e você — junto de até três outras pessoas — precisa recuperar amostras de DNA, resgatar a tripulação sobrevivente e sair vivo dos corredores infestados. O que diferencia o jogo de boa parte da concorrência recente nesse nicho (e o gênero está saturado de “naves espaciais com algo errado”) é a estrutura de objetivos claros. Em vez de vagar sem rumo esperando um jumpscare, você tem missões reais para cumprir, o que naturalmente empurra o grupo a se dividir, se comunicar e tomar decisões sob pressão. É justamente esse tipo de jogo que funciona dez vezes melhor com amigos do que sozinho — e o desconto de 51% logo no lançamento sugere que os desenvolvedores sabem disso e querem que você chame a galera para uma sessão neste fim de semana, afinal por R$ 1,99 você não vai encontrar nada melhor.

Agora, se terror espacial não é sua praia e você prefere algo para jogar sozinho com tempo para evoluir um personagem, vale a pena conhecer A Chama e o Peido. Sim, o nome é uma escolha e tanto — mas não deixe que ele te engane sobre a seriedade do que está por trás. É um RPG de ação com sistema de crafting genuinamente profundo: você caça monstros para coletar ossos, minérios e relíquias, funde tudo isso em equipamentos lendários, e monta seu estilo de combate combinando ataques básicos, esquivas e habilidades espirituais através de gemas. A graça está em testar combinações — trocar uma gema pode transformar uma build inteira, de algo cauteloso e defensivo para algo agressivo e cheio de combos. A jornada passa por florestas, montanhas nevadas e vilarejos amaldiçoados, sempre revelando um pouco mais da história enquanto você avança. No fim das contas, é um jogo que aposta no humor do título para chamar atenção, mas entrega ambição real de looter-RPG por trás da piada. O preço também é super atraente, apenas R$ 12,24.

Falando em jogos que vêm de outra época: se você tem mais de trinta anos e jogou videogame nos anos 90, talvez sinta uma pontada de nostalgia ao ouvir o nome Soccer Kid. A QUByte Classics trouxe de volta esse platformer cult, reunindo as versões de SNES e MS-DOS em uma coleção definitiva, em um timing perfeito também. A premissa é tão simples quanto genial: a Copa do Mundo foi roubada, e a sua única arma é uma bola de futebol que você chuta para atacar inimigos, ativar mecanismos e resolver desafios pelo caminho. Era uma fórmula inovadora para a época, e ainda hoje carrega um charme que jogos modernos raramente reproduzem. A QUByte tem se especializado exatamente nisso — resgatar clássicos que sumiram das prateleiras digitais e trazê-los de volta com compatibilidade moderna, sem mexer no que fazia esses jogos especiais. Para quem jogou na época, é nostalgia pura. Para quem nunca jogou, é a chance de descobrir por que tanta gente ainda lembra com carinho desse menino chutador de bolas mágicas. Até o dia 25 de junho o jogo sai com desconto por R$ 25,49.

E para fechar o dia, um jogo que prova que às vezes a ideia mais simples é a mais inteligente. RE-TAPED é um puzzle platformer construído inteiramente em torno de uma mecânica: gravar suas próprias ações e deixar um “fantasma” de si mesmo repeti-las enquanto você continua jogando em tempo real. Parece simples até você encontrar a primeira fenda larga demais para pular — aí você grava seu eu passado pisando em uma placa de pressão para criar uma plataforma temporária, ou vira fantasma para atravessar um campo elétrico que mataria você na forma física. É o tipo de mecânica que abre um leque enorme de soluções criativas, e os 29 níveis desenhados à mão (cada um introduzindo uma nova reviravolta na fórmula) garantem que você nunca se sinta repetindo o mesmo truque duas vezes. O objetivo de colecionar 29 fitas VHS espalhadas pelos níveis também reforça a estética nostálgica e analógica que dá nome ao jogo. Para quem gosta de puzzles de manipulação temporal no estilo Braid ou The Swapper, é uma descoberta que vale a pena perseguir até o fim. Também está em promoção de lançamento, por apenas R$ 12,74.

Quatro jogos, quatro propostas completamente diferentes — e isso, no fim das contas, é o melhor retrato de uma boa quinta-feira de lançamentos no Steam. Se quiser se aventurar mais, veja os lançamentos underground dessa quinta neste link e se perdeu a edição de ontem, confere lá pois tiveram dois super jogos.
A estrada oficial fechou e a gente foi empurrado para dentro de um vale que não quer visita, então virei a chave, ativei o farol e pedi no chat de proximidade para cada um assumir um papel: um no mapa, outro no kit médico, eu no volante e o último pronto para saltar com o guincho, e assim começou aquela viagem que parece passeio até a primeira curva fazer o RV cantar pneu.
O asfalto cedeu para terra batida e, quando a lama mordeu, o peso do motor virou inimigo; dei um toquinho no acelerador enquanto o colega pulava para fora com o cabo de aço, e a coordenação apareceu no susto quando ele fixou o gancho numa árvore e contou regressivo, porque soltar volante, dosar torque e subir inclinada só funciona quando todo mundo respira junto.
Mabutts Valley não perdoa distração: a trilha abriu em dois e o navegador jurou que o desvio curto era seguro, mas encontrou um leito seco que virava armadilha, então fizemos meia-volta milimétrica com o guincho ancorado, e foi nesse microdrama que aprendi a respeitar cada bifurcação como encontro de chefe, já que qualquer erro vira meia hora de RV atravessado em barranco.
A fome bateu no momento errado e os medidores começaram a gritar; encostei numa clareira e montei fogareiro no pára-choque enquanto o paramédico improvisado checava estoque de antídotos e EpiPens, e aquela pausa tensa virou parte do loop, porque se a tripulação não come e não trata envenenamento, o melhor motorista do mundo só prolonga o inevitável.
De volta ao volante, uma ponte improvisada tremia como se tivesse vontade própria; baixei a marcha, alinhei a entrada na diagonal e deixei o amigo no porta-malas pronto para contrapeso, e quando as tábuas começaram a estalar, ouvi o grito no chat pedindo guincho do outro lado, o que nos fez atravessar por milagre e cair em risada nervosa, daquelas que aliviam só para abrir espaço para o próximo susto.
A noite chegou antes do previsto e o vale mudou de humor; os faróis pegaram partículas no ar que confundiam a profundidade, então o navegador passou a ler o relevo pela sombra das pedras e eu segui a cadência como em raid: acelera, freia, ancora, respira, repete, e esse ritmo de equipe transformou um ônibus teimoso numa criatura obediente.
No trecho seguinte, o vale mostrou dentes: enxames, poças tóxicas e um zigue-zague que parecia piada de mau gosto; o suporte pulou para limpar o caminho, eu mantive a direção reta o suficiente para não balançar a galera, e o mecânico, que até então só xingava, virou herói quando ajustou pressão dos pneus durante a marcha, baixando vibração e salvando nossa sanidade para a última subida.
O guincho se tornou personagem principal na escalada final; cravamos âncoras em rochas, alternamos pontos de fixação e usamos o peso do próprio RV como compasso, enquanto o rádio pingava com piadas que seguravam a moral e comandos que evitavam desastre, e quando a traseira ameaçou escorregar, o paramédico jogou calço no instinto, provando que co-op bom é aquele em que todo mundo aprende função nova no calor do momento.
A placa da rota 65 apareceu como miragem depois de um cotovelo cego, e não aceleramos; paramos o RV, nos olhamos no escuro da cabine e deixamos o silêncio confirmar que o vale tinha virado história para contar, dessas que colam o grupo por mais tempo do que qualquer lobby, e só então engatei a marcha para a reta que devolve a estrada e a voz.
Fechei a sessão com mãos suadas e aquela paz de quem venceu sem glamour, apenas com leitura de terreno, guincho bem usado, cozinha na hora certa e um chat que serviu como bússola, e é por isso que quero mais: porque esse jogo transforma direção em co-op tático, risco em piada interna e cada curva em lembrança que pede replay com outra composição de time.
Eu entrei achando que seria “Mario Kart com reunião de condomínio”, e não tá tão longe. A ideia é simples e cruel: alguém dirige, os outros opinam. E a graça aparece no segundo em que a gente tenta ser sério. Eu no volante, dois amigos no Discord. Um abriu o mapa e disse “vira à esquerda já”; o outro: “não, segura, era a próxima”. Em três segundos eu estava entre duas pistas, o carro sambando, rindo de desespero. Foi a primeira noite inteira: equilibrar o que eu vejo com o que eles veem, e aceitar que comunicação ruim vale mais que volante ruim.
A dinâmica muda muito conforme quem fala. Com amigo “engenheiro”, o rolê vira logística: “mantém 60, farol abre em 5, vai pela faixa do meio, depois entra no túnel”. Com amigo “agente do caos”, a graça é abraçar o improviso: “confia, corta aqui, tem atalho”. E o jogo sabe provocar os dois estilos: um trecho pede disciplina (curvas cega, caminhão lento na frente, blitz que você não quer bater), outro pede ousadia (desvio por terra, passagem estreita que parece impossível até não ser). Quando o time acerta o tom, dá aquela sensação deliciosa de “banda afinada”: freio na hora certa, seta que realmente avisa, ultrapassagem que parece manobra de filme… e um monte de “boa, boa, boa!” pelo chat.
Mas a melhor parte é quando dá errado. Teve uma prova em que meu copiloto jurou que o Waze da vida sinalizava saída 4, eu já na 3, e, por algum milagre, o carro escapou por um buraco de guard-rail que parecia fake. A gente virou lenda naquele grupo. Em outra, eu interpretei “segue reto” como “ignora o retorno”, e fomos parar num desvio de obra que transformou o carro num pinball entre cones. Não tem raiva; tem autópsia. “Eu falei baixa velocidade!” “Tu falou ‘baixa a viso…’ e o resto cortou, irmão.” Aí você ajusta: define códigos simples, tipo “seta = muda faixa já”, “pinga = freia”, “cachorro = perigo no acostamento”. Parece jogar CS com call de entrada, só que o bombsite é a rotatória.
Joguei uma parte no sofá e outra online. No sofá é superior, sem discussão: ver dedo apontando, ler expressão, dividir risada ao vivo. Online funciona bem também, com voz em tempo real e pouca latência, mas é outra vibe — você se apoia mais no minimapa e no HUD. No PC, eu preferi controle pra volante/analógico e teclado/mouse pra quem está de navegador, clicando e marcando. O jogo é tranquilão tecnicamente: travei a 60 fps, cortei bloom e granulação pra ler melhor placas e setas, e raramente vi a taxa cair mesmo com chuva e movimento na tela. Em ultrawide, ver mais da estrada ajuda a antecipar decisão; só cuida pra não virar turista do cenário enquanto alguém grita “saída à direita AGORA”.
A curva de aprendizado é engraçada: você acha que dirigir é o difícil, mas é falar que é. O copiloto bom não narra tudo; ele seleciona. Ele aprende seu tempo de reação e te dá o comando meio segundo antes. E ele tem humildade pra dizer “não sei, escolhe tu, mantenha a calma”. Quando cai a ficha, a tripulação vira um organismo. Eu peguei gosto por “fechar os olhos” (metaforicamente) em trechos críticos e confiar na call: pisa suave, troca de faixa, alinha com a sombra do viaduto, segura, agora. É um gelo na barriga que rende história.
Tem modos mais relax e outros de suar a mão. Os relax geralmente pedem entrega com tempo folgado, mas a cidade apronta: semáforo troll, pedestre indeciso, um caminhão que resolve dormir na sua frente. Nessa hora, a disputa vira de ego contra ego: “dá pra caber?” “não dá.” “dá, confia.” Aí você volta pra base com carro inteiro e amizade um pouco arranhada — do jeito bom. Os mais tensos são os que te jogam em tráfego pesado, evento aleatório e objetivo curto; não adianta ser herói, tem que ser calmo. O jogo foi esperto em sempre oferecer uma rota “segura” escondida: ruazinha lateral, retorno cedo, faixa de ônibus liberada naquele horário. Descobrir isso no grito é ouro.
A parte de humor é inevitável. A IA dos NPCs às vezes é mais “humana” do que deveria: um motorista para no nada e cria efeito sanfona, uma motoca aparece do nada em ângulo improvável. Em vez de irritar, isso alimenta as histórias. Vira bordão: “olha o Padrinho do caótico à esquerda, cuidado.” E as bronquinhas internas começam: “parou de usar seta, né?” “saiu do personagem, virou taxista.” A dublagem (quando aparece) e os efeitos ajudam sem roubar a cena: buzina com tom específico, Waze da zoeira, trilha que sobe quando a corrida “engrena”. Nada over.
Nem tudo é perfeito. Em alguns mapas, a sinalização visual pesa pro lado de “estética” e menos de legibilidade: placa pequena demais, cor da faixa parecida com o asfalto molhado, e você perde uma entrada que deveria estar mais clara. Em outros, a câmera te trai por um segundo em cruzamentos muito fechados. Aconteceu duas ou três vezes; ajustei contraste, baixei alguns efeitos e melhorou. Outra: a diversão depende do grupo. Sozinho, a experiência cai — dá pra jogar, mas metade do charme é a comunicação (e a confusão) compartilhada. Com gente tímida, vale combinar regra de call antes.
O que me segurou, no fim, foi o meta social. A gente começou a criar desafios internos: “chegar sem frear”, “fazer o percurso todo só com call de seta”, “copiloto não pode dizer direita/esquerda, só ‘sol’ e ‘sombra’”. O jogo aguenta essa brincadeira porque a base é sólida. O feedback do carro é bom, o mapa responde, as físicas têm aquele exagero gostoso que te pune sem humilhar. Quando acerta, você termina a corrida com a mão suada e a cara doendo de rir.
Se vale a pena? Se você tem pelo menos um amigo disposto a virar voz na sua cabeça, sim — forte sim. Backseat Drivers é daquelas experiências que parecem pequenas num trailer e gigantes numa call de madrugada. Ele testa paciência, timing e a beleza de errar junto. E quando você cruza a última avenida, pega a saída certa e estaciona sem riscar o carro, o brinde não é moeda ou loot… é o silêncio de cinco segundos do grupo, seguido de “MEU DEUS, DEU CERTO”.
Na primeira vez que ligamos POPUCOM aqui em casa, não imaginávamos que estávamos prestes a transformar uma simples noite de jogo em um festival de risadas, confusão e alegria coletiva. Eu no controle, minha filha pulando de emoção ao meu lado, e minha esposa rindo de cada trapalhada nossa — foi como se o sofá virasse palco de uma aventura em família. Esse jogo não exige perfeição, só vontade de se divertir junto. E nisso, ele brilha. Em pouco tempo, já estávamos todos falando a mesma língua colorida do jogo, celebrando cada puzzle resolvido como uma pequena vitória doméstica.
Jogar juntos virou tradição
O que começou como uma noite qualquer virou ritual familiar. Pode parecer piegas dizer isso, mas ver minha filha rindo ao preencher um painel de cores enquanto minha esposa cobria os tiros na torre me fez sentir que POPUCOM acertou em cheio. Ele não permite que você jogue sozinho — até dá, mas nada se compara a jogar junto.
A sensação foi de estarmos em Portal 2, mas sem quebra-cabeça difícil. Não importa se você erra o timing para atirar ou erra o pulo, o jogo entende e dá suporte. Comandos suaves, cores vibrantes e o modo assist configurado para ajudar. Minha filha de 7 anos, que normalmente prefere jogos mais simples, estava empolgada até tentar o boss final — uma explosão de tinta gigante, ao estilo Splatoon com plataforma.

Puzzle + plataforma = parceria perfeita
A mecânica de match‐3 com tiros coloridos dá aquele frio na barriga quando você e sua esposa precisam alinhar cores num momento crucial. Se erramos, a plataforma não abre, vencemos em ritmo lento — e damos risada. Nada se compara àqueles momentos em que três cores entram certinhas no tempo exato, e todos esperamos celebrar.
A filha adorou correr atrás das luzes coloridas para ativar mecanismos, enquanto eu cobria o boss disparando gel vermelho no tempo certo. Foi um momento de sintonia pura. A jogabilidade me lembrou um pouco de Mario 3D World, só que com tiro — sem barreira entre plataforma e combate.

Party Mode: caos e risadas garantidos
Quando a noite virou festa, abrimos o Party Mode e a casa virou palco de bagunça feliz. Papai caindo de plataformas, mamãe errando o pulo, e minha filha resgatando o tempo todo a gente do reboot. Foi confusão tipo Overcooked com tinta — bagunçado, divertido, caótico, mas leve.
A trilha animada elevou o clima. Águas que tremiam, plataformas que subiam e desciam e nós pulando pra acertar o ritmo. No fim das contas, não terminamos nem meio palco, mas a mesa cheia de pipoca fez o turno render mais.

Visual e som que abraçam a família
Tudo em POPUCOM é colorido e acolhedor — sem tela confusa ou visual cansativo. A arte lembra Splatoon e Puzzle Bobble, com sons que ouço até no carro repetidos pela minha filha. Cada salto tem um “plim”, cada tiro, um “splash” que faz rir. A trilha não cobra atenção, mas envolve. É música calma que faz o lar parecer um recanto aconchegante.
Surpresas, falhas e recomeços
Sim, vimos alguns bugs — um personagem travado aqui e ali. Mas nada que matasse o ritmo. Parecia até que o PC estava com preguiça, mas bastou reiniciar o jogo e lá estávamos nós de novo, pulando como loucos.
O suporte do estúdio parece bom — o jogo instala atualizações mesmo sem sairmos da partida. O que me encantou foi ver o cuidado com modos multiplayer, dividindo tela e online de forma simples.
Algo para todos, realmente
O mais legal? POPUCOM não é só pra minha filha, ou só para adultos. Ele junta gerações. Ela se diverte, minha esposa se sente desafiada o suficiente, e eu me sinto parte de uma equipe. Um jogo que não impõe ritmo, mas que recompensa a parceria.
Fica difícil não lembrar de Mario Party com tinta — mas com coesão e menos competição. E o quebra-cabeça no tiro colorido me fez pensar em Puzzle Bobble, mas com plataforma e coop — toque genial.

Vale o seu tempo? Vale demais
Se você quer um jogo para jogar com a família, com parceiros, com amigos, POPUCOM é o que basta. Alegria simples, desafios divertidos e aquele sentimento de equipe que poucos jogos entregam.
Para quem curte Splatoon, quer filha sorrindo, precisa de coisa leve, surpreendentemente inteligente, este é um acerto. Foi difícil largar o controle. Já estamos planejando repetir a dose hoje à noite. E sempre vai ter o “vamos jogar só mais um pouco”.