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Jogos Gratis da Semana 22-28-06-26
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Semana movimentada no Steam. Entre os lançamentos gratuitos da semana, tem de tudo: um roguelite que transforma a Conjectura de Collatz em bullet hell, um RPG desenhado à mão ambientado no Inferno, uma simulação narrativa inspirada em eventos históricos reais e um dungeon crawler onde você pode ser o chefão. A gente separou os 10 que mais merecem seu tempo — e logo abaixo tem um resumo de tudo o que ficou de fora.

Os 10 melhores jogos grátis da semana:

  1. Seven Rounds
  2. StyxVenture
  3. Fabricatio
  4. Till Midnight
  5. One Death at a Time
  6. Dungeon Dilemma
  7. Eyes of the Forest
  8. EVEN OR ODD 1
  9. Unquiet Grey
  10. The Tartarus Loop

Começamos pelo mais elegante mecanicamente: Seven Rounds tem uma premissa que cabe em uma frase — para recarregar sua arma, você precisa aparar os ataques dos inimigos. Sem parry, sem balas. O jogo é um roguelite top-down neon onde cada projétil que você deflecte enche o revólver, e encadear parries perfeitos desacelera o tempo para um tiro carregado devastador. É o tipo de loop de gameplay que soa simples mas exige leitura constante do que está vindo na sua direção — e em um campo cheio de inimigos geométricos voando de todos os lados, esse desafio escala rápido. Poucas coisas são mais satisfatórias do que a sequência de um parry no frame certo seguido de um tiro lento que atravessa metade da tela.

Se Seven Rounds é sobre precisão fria e neon, StyxVenture vai na direção oposta em tudo, menos na qualidade. É um RPG desenhado à mão ambientado em um canto pequeno e monocromático do Inferno, onde você precisa dominar os sete Pecados Capitais como mecânicas de combate para enfrentar demônios e encontrar sua saída da eternidade. O visual é todo feito à mão, preto e branco com toques de contraste, e o charme está exatamente nisso: é um jogo que parece um caderno de anotações assombrado ganhou vida. Para quem gosta de RPGs com personalidade visual forte e premissa mitológica, é uma das descobertas mais interessantes da semana.

Do Inferno para a fábrica. Fabricatio é um factory builder 2D focado puramente em automação — linhas de produção, transporte de recursos, logística complexa. Para o público que curte jogos como Factorio ou Shapez, a palavra “puramente” é a mais importante aqui: sem combate, sem gestão de personagem, só o prazer cerebral de montar sistemas que funcionam sozinhos com crescente eficiência. É o tipo de jogo que você abre às dez da noite e fecha às três da manhã sem perceber. Gratuito, limpo, e diretamente no ponto.

De fábricas para profundezas. Till Midnight é uma simulação de gestão narrativa inspirada em eventos históricos reais, onde você comanda uma embarcação presa centenas de metros abaixo da superfície com falhas críticas de comunicação. A premissa é sombria, atmosférica e deliberadamente claustrofóbica — você gerencia sistemas, toma decisões sob pressão e tenta evitar consequências que, segundo o próprio jogo, são “capazes de mudar o mundo”. É um dos lançamentos mais ambiciosos narrativamente da semana, e o fato de estar baseado em fatos reais adiciona uma camada de peso a cada escolha.

Agora, algo completamente diferente. One Death at a Time coloca você no papel de John, um homem em crise de meia-idade que recebe uma proposta incomum: uma caixinha de leite suspeita oferece um desejo em troca de 14 almas. Como John é uma boa pessoa, ele decide que precisa morrer ele mesmo — 14 vezes, de formas diferentes — explorando a cidade em busca de cada uma delas. É um jogo de exploração em primeira pessoa com humor absurdo e coração genuíno, que usa a morte como mecânica de progressão de um jeito que raramente se vê. Difícil de categorizar, fácil de recomendar.

De mortes únicas para dungeons compartilhadas: Dungeon Dilemma é um roguelike de construção e exploração de masmorras onde você pode ser o arquiteto ou o invasor. Como Dungeon Boss, você monta a masmorra mais diabólica possível com minions e armadilhas. Como Challengers, você e até três amigos tentam sobreviver ao que foi criado. A proposta assimétrica é o que torna o jogo especialmente interessante em grupo — porque nada é mais motivador do que saber que foi um amigo quem projetou aquela armadilha ridícula que acabou com você no último andar.

Para quem prefere silêncio e tensão no lugar de caos cooperativo: Eyes of the Forest é uma aventura de stealth em terceira pessoa ambientada em uma floresta pós-humana onde cada movimento importa. Ruínas imponentes, raízes entrelaçadas, caminhos mal iluminados — o ambiente é todo construído para comunicar que algo está sempre observando. Não há combate direto; a sobrevivência depende de paciência, observação e contenção. É raro encontrar um jogo que trate o silêncio como recurso de design tão conscientemente.

Agora, o mais improvável do top 10: EVEN OR ODD 1 reimagina a Conjectura de Collatz — um dos problemas não resolvidos mais famosos da matemática — como um bullet hell roguelite de alta velocidade. Você joga como Ichi, uma magical girl musculosa que teletransporta entre pistas para rebater números com tiros carregados. Sim, os inimigos são números. Sim, o jogo usa a lógica par/ímpar da conjectura para determinar o comportamento deles. É completamente absurdo e completamente comprometido com a própria premissa — o que o torna um dos lançamentos mais originais da semana por uma margem confortável.

Quase no final, duas experiências mais contemplativas que merecem espaço. Unquiet Grey é uma visual novel de timeloop sobre uma jovem perturbada e o músico de coração gentil que ela ama através de incontáveis vidas. A tagline “você não pode salvá-lo… mas e se pudesse encontrá-lo de novo?” diz muito sobre o tom: é um jogo sobre perda, repetição e o que resta quando o final já foi determinado. Para quem gosta de narrativas que não têm medo de doer.

E fechando o top 10, The Tartarus Loop usa a mitologia grega de forma igualmente sombria: você é uma cópia de Teseu, preso no Tártaro, obrigado a derrotar o Minotauro repetidamente para toda a eternidade — enquanto a alma do Minotauro aprende com cada morte e tenta te superar. É um jogo de labirinto e perseguição com uma premissa existencial muito maior do que o tamanho do jogo sugere.

Os outros lançamentos gratuitos da semana

Quem gosta de jogos de estratégia e construção tem algumas opções sólidas. Solderia: Fall of Kings é um jogo medieval de estratégia onde você constrói reinos, treina exércitos e forja alianças para disputar o trono. O Gods and Kings mistura estratégia em tempo real, coleção de cartas e RPG com base na mitologia grega — heróis com poderes rúnicos, exércitos invocados e duelos contra os próprios deuses. Já o Econosquare vai em uma direção bem mais incomum: é um MMOE financeiro persistente onde jogadores negociam ativos globais, fundam empresas, gerenciam bancos e competem por influência em uma economia moldada por crises e decisões coletivas. Para quem sempre quis simular o mercado financeiro com outros jogadores reais.

No campo dos MMORPGs, o Godius Eternal War chega como versão Steam de um MMORPG 2D de pixel art que existe desde 1999 — guerras entre nações, mundo aberto multiplayer, PvP e comércio entre jogadores. É uma fatia de história do gênero online ainda funcionando, e a migração para o Steam é a porta de entrada mais acessível que já teve. O Starmageddon vai para o espaço com um shooter multiplayer online em equipe de alta octanagem, onde sobreviver não é suficiente — você precisa dominar o campo de batalha.

Para os fãs de clickers e idle com personalidade: o Incrementoad é um incremental aconchegante sobre sapos — você come bugs, ganha poder, desbloqueia poderes divinos e restaura a glória dos anfíbios com árvores de upgrade profundas e segredos antigos escondidos no caminho. Curto, viciante e deliberadamente fofo. Já o Desktop Snail Assassin é mais caótico: um idle desktop onde de vez em quando um caracol assassino começa a caçar o seu cursor, transformando a área de trabalho em um bullet hell improvisado. Pergunta válida: quanto tempo você consegue sobreviver?

O campo das visual novels e experiências narrativas também está representado. O Battle Live! The Idol School Collection é uma visual novel episódica de slice-of-life com seis histórias principais centradas em uma escola de ídols chamada Pride Park. O Ocean Planet tem uma premissa mais singela: Button e Drop Bear moram de graça no apartamento acima da loja de pãezinhos no vapor do amigo deles — e quando esse amigo some, cabe a eles descobrir o que aconteceu. Uma aventura pequena e calorosa. Já o This Game is Simple é mais meta: uma experiência meditativa e silenciosa sobre um desenvolvedor de jogos perdendo a paixão pelo próprio trabalho, com um nível que muda constantemente ao redor do jogador.

Para quem quer aventura e ação mais direta, o Lil’ Quests é um sandbox cooperativo de física absurda com quests que terminam em risadas e caos — e cavalos. Sempre há cavalos. Finalmente, Finding Lake Chewaucan é um jogo de detetive viajante do tempo onde você caça pistas, resolve puzzles e completa minijogos para desbloquear fragmentos do passado e identificar animais fósseis — um projeto que parece educativo mas funciona como aventura de mistério. O Count Down tem a descrição mais econômica da semana: “Count Dracula is going Down” — e às vezes isso é tudo que você precisa saber. E o The Naysayer é um souls-like baseado em texto, onde você tenta refutar as acusações de um cavaleiro sedicioso contra o seu reinado — ou derrotá-lo na arena. A combinação de palavra e espada é mais rara do que deveria ser.

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Essa semana foi generosa para quem gosta de jogar sem gastar nada. O Steam recebeu mais de 60 títulos gratuitos em sete dias, cobrindo desde o maior lançamento do mês até experimentos de uma pessoa só feitos em sete dias. A lista é longa, então a gente filtrou — mas no final você encontra a lista completa sobre cada um dos 62 jogos lançados para não perder nada.

Os 10 melhores jogos grátis da semana:

  1. Zenless Zone Zero
  2. Gloria Victis: Medieval MMORPG
  3. Prologue: Go Wayback!
  4. Skillwood
  5. Backrooms Lost Runners
  6. The Unrealtor
  7. FAST FOOD FUNKIN’
  8. Spider Subway
  9. Mesozoic Dawn
  10. Idle Startup

O começo da semana foi dominado por um nome só: Zenless Zone Zero, da HoYoverse, chegou finalmente ao Steam no dia 17 de junho junto com a atualização da Versão 3.0, “A Sleepwalker’s Confession”. Quem acompanha o mercado mobile sabe que ZZZ é o terceiro grande título da empresa depois de Genshin Impact e Honkai: Star Rail, mas essa é a primeira vez que ele aparece na plataforma. A chegada é grande: mais de 15.000 jogadores simultâneos nas primeiras horas, 89% de avaliações positivas com quase 3.000 reviews, e cross-save completo com as versões de mobile, PS5, Xbox e PC via HoYoPlay. O jogo se passa em Nova Eridu, a última cidade da humanidade num mundo tomado por anomalias dimensionais chamadas Hollows, e o combate é tudo que você esperaria de um ARPG anime de alto nível: parries, esquivas, trocas de personagem mid-combo e inimigos que pedem resposta precisa. É gratuito com microtransações gacha — você não precisa gastar nada para completar o jogo, mas o sistema de recrutamento de personagens com certeza vai testar sua disciplina financeira.

Zenless Zone Zero

Se o ZZZ é o lançamento da semana, o Gloria Victis: Medieval MMORPG é o retorno. O MMORPG da gamigo que havia encerrado as operações ressurgiu no dia 17 com a Season of the Phoenix — gratuito e com servidores renovados. A diferença para outros MMOs é o realismo: sem magia exuberante, com combate não-target baseado em habilidade manual, economia 100% dirigida por jogadores e guerras territoriais que envolvem cercos reais a castelos. Veteranos do jogo vão encontrar de volta o sistema State of War, que permite confrontos organizados entre guildas. Com 72% de aprovação recente e picos de quase 3.000 jogadores simultâneos no relançamento, a comunidade provou que ainda estava esperando.

E se a temática medieval do Gloria Victis é realista demais para você, mas a ideia de um mundo aberto de sobrevivência ainda é atraente, o Prologue: Go Wayback! pode ser exatamente a virada de chave necessária. Criado pelo fundador do PUBG, Brendan Greene, Go Wayback! saiu do Early Access e se tornou completamente gratuito nessa semana. O motivo é incomum: o estúdio PLAYERUNKNOWN Productions decidiu encerrar o desenvolvimento ativo e liberar o jogo para todo mundo, para sempre. O que resta é uma experiência de survival de mundo aberto em primeira pessoa onde cada corrida começa com um mapa de 64 km² gerado pelo próprio computador do jogador — usando a engine de machine learning Melba, desenvolvida internamente com dados públicos para criar terrenos realistas no Unreal Engine 5. Não há marcadores, quests ou guias. Só você, o ambiente, e uma Weather Tower no horizonte. É silencioso, é experimental, e agora custa zero.

Ainda na semana, um dos achados mais consistentes em termos de avaliações foi o Skillwood, que saiu do Early Access com 91% de aprovação em 208 análises. É um idle game de lenhador: você corta madeira, minera pedra, troca com NPCs, faz upgrades de floresta e faz prestige para começar uma run ainda melhor. O loop é hipnótico da forma mais simples possível — a madeira vai acabando, o estamina vai caindo, você ajusta o ritmo e continua. Não tem narrativa, não tem combate, não tem pressão. Apenas árvores, pedras e aquela sensação satisfatória de ver números crescerem. O desenvolvedor já deixou claro que o projeto está concluído e seu próximo jogo será o Soulstack — então o que está aqui é o produto final, polido e gratuito.

Skillwood

Agora saindo do espaço contemplativo e indo direto para o terror: Backrooms Lost Runners também fez parte dessa semana, com seu lançamento em Acesso Antecipado no dia 17. Os 89% de avaliações positivas já foram conquistados rapidamente — o jogo havia acumulado mais de 100.000 itens na lista de desejos antes mesmo de ser lançado. É survival horror cooperativo para até quatro jogadores nos corredores intermináveis dos Backrooms, com sistema de sanidade que se deteriora, mortes que enviam o jogador para uma dimensão paralela e narrativa ambiental contada por diários e disquetes espalhados pelos ambientes. Se você vai jogar com amigos, guarda essa para um sábado à noite com as luzes apagadas.

Para quem prefere terror de um tipo diferente — o terror de pagar aluguel — The Unrealtor traz uma ideia engenhosa: é um puzzle cooperativo de tela dividida onde dois jogadores navegam por uma visita imobiliária surreal, resolvendo quebra-cabeças baseados em perspectiva ao combinar objetos que aparecem em telas diferentes, enquanto a casa vai se transformando em um labirinto de arquitetura impossível. Gratuito, publicado pela USC Games (programa de games da Universidade do Sul da Califórnia), e funciona com dois jogadores no mesmo PC. A premissa satiriza o mercado imobiliário de um jeito deliciosamente estranho.

The Unrealtor

Falando em coisas deliciosamente estranhas: FAST FOOD FUNKIN’ é exatamente o que o nome promete. Uma paródia de Friday Night Funkin’ feita em sete dias para uma game jam da Newgrounds, com três rappers, uma atendente de drive-thru, e uma trilha sonora sobre opiniões de fast food. 100% de aprovação nas primeiras avaliações, que incluem frases como “pedir fast food é difícil, mano” e “ainda penso nesse jogo às vezes, amém”. É curto, é gratuito, e é exatamente o tipo de coisa que a Newgrounds sempre soube fazer com maestria. Um flash game de 2026, no melhor sentido possível.

FAST FOOD FUNKIN

Para fechar o top 10, dois jogos que merecem atenção por motivos opostos: Spider Subway coloca você em Tokyo 2029, no rescaldo do colapso da bolha de IA, tentando escapar de um metrô infestado de criaturas no menor tempo possível. É um jogo de speedrun em terceira pessoa com um calendário de trens que você pode ajustar ao centésimo de segundo — e sim, você precisa pegar os trens certos para se mover pelo mapa. Tem gore, tem humor negro, e tem duas conquistas Steam para desbloquear.

Spider Subway

Já o Mesozoic Dawn, da NEXTINDIE, é a escolha para quem quer escala: um survival multiplayer online de dinossauros com mais de 70 espécies pré-históricas, um sistema de evolução baseado em “crescimento + nidificação = evolução”, mecânicas de combate por partes do corpo com dano verdadeiro que ignora armadura, e migrações massivas de manadas de IA que acontecem dinamicamente no mundo. Com 75% de aprovação e suporte a 16 idiomas incluindo português, é um dos projetos mais ambiciosos da semana — e ainda está começando.

Mesozoic Dawn

Os outros lançamentos gratuitos da semana

Quem gosta de jogos de cartas e apostas teve uma semana especialmente farta. O PokerVersity Challenge funciona como um treinador de pôquer com simulações de mãos e cenários de torneio, enquanto o PPPoker vai direto ao ponto como cliente online para partidas privadas com amigos ou clubes. Se você prefere mesa de sinuca, o 8 Ball de Pokerist traz exatamente isso com sistema de ranking e torneios. Fechando o grupo, o Tarot Spell usa cartas de tarô como mecânica central de combate e estratégia — a proposta mais original das quatro.

Combate com cartas de Tarô? E ainda é de graça!

Do baralho a pedras e joias: o Jewels of the Wild West é um match-3 clássico com progressão de cidade no estilo Velho Oeste, e o Once Upon a Card é um jogo de cartas narrativo onde cada carta virada avança uma história de fantasia. Se o que você quer mesmo é ver números crescendo sem muito esforço, o Melon Clicker entrega exatamente isso no estilo Cookie Clicker, com melancia no lugar de biscoitos. Para quem prefere um idle com um pouco mais de estrutura, o Idle Knight tem cavaleiros que evoluem e batalham automaticamente em tempo real.

Melon Clicker
Clique na Melancia e é justamente isso, um clicker na… melancia!

Saindo dos loops automáticos e entrando em puzzles que exigem atenção de verdade: o Bloxzer é um puzzle de blocos inspirado em sokoban com progressão de fases, o Bind pede que você una pontos em um espaço tridimensional através de laços e conexões, e o Friction usa resistência de superfícies como mecânica central para arrastar e encaixar objetos. O mais inusitado do grupo é o Tumble Type, que mistura jogo de palavras com física de blocos — letras caem e precisam ser combinadas em tempo real, o que soa simultaneamente estressante e viciante.

Pensou em Tetris com letras? É exatamente isso

Para quem prefere o terror, a semana também foi generosa — e em sabores bem diferentes. O Operation PLUSH aposta na dissonância de pelúcias tentando sobreviver em uma fábrica abandonada, enquanto o Deep Enough funciona no sentido oposto: quanto mais fundo você minera, mais perturbadora a experiência fica. O Nightmares é mais narrativo, com foco em pesadelos recorrentes e decodificação de símbolos oníricos, e o Uncle Otto’s Mansion leva você a explorar uma mansão excêntrica deixada por um tio desaparecido — mais mistério do que susto, mas a atmosfera é toda dela.

Uncle Ottos Mansion
Descubra os segredos da Mansão do Tio Otto

Se ação é o que você quer, tem bastante aqui também. O Sir Parry é um jogo medieval de combate inteiramente baseado em timing de parry, com chefes crescentes e estética pixelada. O Fight or Flight vai na direção oposta conceitualmente: a cada confronto você decide se enfrenta ou foge, e as consequências se acumulam. O Rankbreaker mistura ação com roguelite de cartas em partidas rápidas focadas em subir rankings, e o Slipspace Panic joga tudo em velocidade: arcade espacial com mecânica de warp e esquiva frenética. Já o Doom Party pega essa energia e transforma em party game, com minijogos temáticos de sobrevivência apocalíptica para jogar em grupo.

Rankbreaker
Ainda cabe um roguelite de cartas aí? É de graça…

Para quem prefere explorar em vez de lutar, a semana entregou algumas opções tranquilas. O Chill Fishing é literalmente só pescar sem pressão de tempo ou objetivos urgentes. O Cave of Treats troca o mar por cavernas subterrâneas em um jogo de plataforma com pixel art cheio de coletáveis. O Deep Drift / Signal Below vai para o fundo do oceano com foco total em atmosfera e navegação silenciosa. E o Without Sanctuary leva essa tranquilidade para um cenário pós-apocalíptico em um jogo de luta no estilo Mortal Kombat.

Cave Of Treats
Cavar e cavar, mas o que será que você vai encontrar?

Aventura espacial também apareceu em peso. O Astropath é um RPG de exploração com navegação por estrelas e encontros com civilizações alienígenas. O RAX vai na direção mais veloz com corrida futurista, customização de naves e circuitos gerados proceduralmente. O Backrooms Lost Dimension não é exatamente espacial, mas também é sobre dimensões — aqui o foco é exploração solitária de espaços com segredos e horrores. E o Myth Requiem fecha o grupo com um ARPG de fantasia inspirado em mitologias asiáticas e sistema elemental.

Backrooms Lost Dimension
Não se engane, Backrooms Lost Dimension pode te dar alguns sustos.

No campo das experiências mais experimentais e narrativas, o Autotelic cria sons enquanto você navega por ambientes generativos — é parte jogo, parte instrumento. O SHOUTAI é uma experiência rítmica e narrativa ambientada num espaço de prática de canto. O Moon River é contemplativo no sentido mais puro, inspirado no som de rios e na passagem do tempo. O The Name I Wear aborda identidade e pertencimento com escolhas de texto e atmosfera poética, e o Through Ash coloca você no rescaldo de um incêndio com mecânicas de reconstrução e reflexão. O HeartCore Descent usa um dungeon crawler roguelite como metáfora de saúde mental, onde os andares subterrâneos espelham estados internos do personagem.

Moon River
Um RPG que segue o fluxo do rio

Para visual novels e histórias interativas, o Dragon Kisser oferece escolhas românticas envolvendo dragões, o The Final Week é um suspense onde cada decisão numa semana final de aulas tem consequências, e o Atelier’s Key mistura visual novel com puzzle em torno de criação artística e redescoberta de memórias. O ME iON é o mais minimalista dos quatro, uma ficção científica interativa com interação por texto.

Fechando com os mais difíceis de categorizar — o que em geral significa os mais interessantes. O Going Once é um simulador de leilão onde você compra, avalia e revende itens para lucrar. O PinballRobotDoctor usa uma mesa de fliperama para consertar robôs. O ArmOut estende membros físicos para resolver puzzles espaciais. O OILEXE simula exploração de petróleo com decisões de perfuração e gestão de recursos. O LucidDynamics é um sandbox de física com construção livre de cenários. O eXSert é ficção científica com ênfase em exploração narrativa. O Chaos Dice Survival deixa dados decidirem tudo — habilidades, inimigos, terreno — a cada turno. E o Simulation Simulator fecha a semana do jeito mais meta possível: simulando o ato de jogar simuladores, comentando o próprio gênero de dentro para fora. E sim, o Nacho Chihuahua: The Movie: The Game existe — é um jogo de plataforma de um chihuahua estrelando um filme dentro do jogo, e o título já diz tudo o que você precisa saber antes de clicar.

Nacho Chihuauha
Gloria Victis Medieval MMORPG
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Um MMORPG renascido e um survival do criador do PUBG chegaram gratuitamente à plataforma. Aqui está o que cada um tem a oferecer.

Gloria Victis: Medieval MMORPG

Gloria Victis não é exatamente um jogo novo — mas o seu retorno é tratado como um nascimento. O MMORPG medieval de mundo aberto que havia encerrado as operações ressurgiu com a Season of the Phoenix, agora completamente gratuito. Desenvolvido pela gamigo, o jogo chega com servidores renovados e a promessa de uma experiência que o estúdio chama de “mais do que um relançamento — o início de uma nova era”.

Gloria Victis se diferencia de outros MMORPGs pela ênfase no realismo. Não há magia exuberante nem elfos — o jogo é medieval de verdade, com combate não-target baseado em habilidade manual, economia conduzida exclusivamente por jogadores e guerra territorial em escala. O sistema de combate combina ataques direcionais com mouse com a profundidade estratégica de gerenciar cercos e controlar regiões do mapa. Você pode ser guerreiro, ferreiro, mercador, caçador ou arqueiro — as classes são ponto de partida, não prisões.

Uma das grandes novidades do relançamento é o retorno do State of War, sistema que permite confrontos organizados entre guildas: ataques a ilhas inimigas, defesas de castelos, acúmulo de Technology Points e batalhas que colocam liderança, coordenação e preparo à prova. Para os veteranos que amavam esse aspecto do jogo antes do fechamento, é como um encontro com algo que estava perdido.

O jogo passou os últimos meses em uma fase de testes aberta ao público, e a comunidade contribuiu ativamente com relatórios de bug e sugestões. A base de jogadores brasileiros sempre teve participação significativa, a ponto de a versão em português ter algumas das avaliações mais positivas da plataforma, com mais de 440 análises classificadas como Muito Positivas no idioma. Se você tem curiosidade por MMORPGs com sabor de hardcore medieval, esse é o momento ideal para entrar sem gastar nada. Ver na Steam.

Prologue: Go Wayback!

Prologue: Go Wayback! chega à sua versão final de uma forma incomum: o estúdio por trás do jogo, a PLAYERUNKNOWN Productions — fundada por Brendan Greene, o criador do PUBG —, anunciou que interrompeu o desenvolvimento ativo e decidiu tornar o jogo completamente gratuito. O preço de US$ 19,99 do Acesso Antecipado foi removido, e o título saiu oficialmente do Early Access, agora disponível para qualquer pessoa baixar e manter para sempre.

O jogo é um survival roguelite de mundo aberto em primeira pessoa, onde cada partida começa com um mapa inédito de 64 km² gerado proceduralmente no próprio computador do jogador. A tecnologia por trás disso é o principal legado do projeto: a Melba, uma engine de machine learning desenvolvida internamente que usa dados públicos de fontes abertas para criar terrenos realistas no Unreal Engine 5. Florestas, rios, colinas e cabanas emergem de maneira diferente em cada corrida — não há dois mapas iguais.

A mecânica central é navegar por esse ambiente com recursos limitados, evitando a fome, a sede e os rigores do clima, em direção a uma Weather Tower no horizonte. Não há marcadores, quests ou guias — só a paisagem, suas ferramentas e sua capacidade de ler o terreno. O jogo é silencioso, atmosférico e deliberadamente anti-tutorial. Há um ciclo de dia e noite, sistema de culinária, gestão de inventário e a necessidade constante de improvisar.

Prologue foi concebido como o primeiro de três jogos que pavimentam o caminho para o Projeto Artemis, a visão máxima de Greene: uma plataforma para mundos multiplayer massivos onde milhões de jogadores podem moldar histórias emergentes. O desenvolvimento de Go Wayback! foi interrompido porque o estúdio precisou encolher para focar exclusivamente na engine Melba. As avaliações, mistas durante o Acesso Antecipado, devem ganhar nova perspectiva agora que o jogo é gratuito: sem barreiras financeiras, a proposta experimental tem muito mais espaço para ser apreciada nos seus próprios termos. Ver na Steam.