Videogame, como quase toda febre da cultura pop, vive de ciclos: um gênero bombando aqui, saturando ali e, anos depois, voltando como objeto de pura nostalgia.
Em uma enquete recente, a comunidade deixou claro quais estilos de PC mais estão fazendo falta. No topo da lista ficaram os RTS e os immersive sims, brigando voto a voto pela liderança, com 29% e 28% da preferência.
Não faltam motivos para o pessoal ainda sonhar com a volta triunfal dos RTS. Depois de uma fase em que jogos como Homeworld 3, Sins of a Solar Empire 2 e Company of Heroes 3 reacenderam a esperança de um renascimento, o hype acabou esfriando de novo. Mesmo assim, a vontade da galera continua forte.
Os immsims também mostraram que ainda têm uma base fiel, puxando aquele apelo clássico de sistemas profundos, liberdade de abordagem e gameplay emergente de verdade.
Mais atrás na votação vieram os MMOs, com 16%, e as aventuras point-and-click, com 11%. Também apareceram pedidos por text adventures, além de uma turma que ainda quer ver os beat ‘em ups voltando com força total.
No fim das contas, a pergunta que fica é simples: qual gênero você quer ver renascer no PC? Solta sua opinião e diz qual estilo merece uma nova chance.
Em Battlefield 6, o mapa Railway to Golmud chega como uma das melhores adições do jogo até agora. A sensação é de, finalmente, ter espaço de verdade para jogar no modo guerra total: você sobe num ponto alto, observa o caos rolando lá embaixo e ainda encontra um momento para respirar antes de voltar para a pancadaria.
A releitura de Golmud, inspirada em um clássico de Battlefield 4, corrige justamente o maior problema do original: o sofrimento de atravessar áreas abertas sem cobertura. Agora, vilarejos, morros e pequenas depressões quebram a linha de visão e dão uma chance real para esquadrões em deslocamento.
O mapa mantém tudo o que faz Battlefield 6 brilhar: tanques, helicópteros, infantaria e o trem em movimento cortando o cenário no meio. Só que, desta vez, o espaço é honesto. Existem bordas, rotas alternativas e zonas de descanso que deixam a batalha respirar, algo que faltava em vários mapas do lançamento.
O recado fica claro: nem todo mapa precisa ser um funil de combate constante. Battlefield 6 funciona melhor quando dá ao jogador a opção de atacar, flanquear ou simplesmente observar a guerra de longe por alguns segundos. Railway to Golmud é, sem exagero, o tipo de mapa que pode mudar a conversa sobre o multiplayer.
Em Kingdom Come: Deliverance 2, até o modo foto veio com uma pegadinha digna de RPG raiz. Quando Henry sai dessa função, ele pode soltar um comentário aparentemente inofensivo, como se estivesse admirando a paisagem. O problema é que essa fala acontece dentro do mundo do jogo — e, em situações de furtividade, os guardas podem ouvir.
Na prática, isso impede que o jogador use o modo foto como uma espécie de câmera-cheat para espiar além das paredes ou dar aquela olhada marota em uma missão stealth. Em vez de deixar a brecha aberta, o sistema foi ajustado para manter a imersão e, de quebra, punir qualquer tentativa de trapacear.
Esse tipo de solução combina demais com a identidade de Kingdom Come: Deliverance 2: um game que curte mecânicas cheias de personalidade, capazes de gerar situações bizarras, engraçadas e totalmente compartilháveis. A equipe também já mostrou que gosta de brincar com sistemas que parecem absurdos no papel, mas que acabam virando parte do charme do jogo.
No fim das contas, é aquele caos delicioso que só um RPG medieval com alma consegue entregar. Em Kingdom Come: Deliverance 2, até um simples clique no modo foto pode virar um vacilo épico — e é justamente isso que faz o jogo ficar tão marcante.
Mixtape é daqueles jogos que parecem mais um filme indie de amadurecimento do que um game tradicional — e isso funciona tanto como elogio quanto como crítica.
No controle de Stacy Rockford, uma adolescente apaixonada por música e prestes a encarar o fim da escola, você acompanha um rolê cheio de amizade, caos e aquela sensação agridoce de despedida. Ao lado de Van Slater e Cassandra Morino, a história mergulha de cabeça na nostalgia dos anos 90, com diálogos afiados, personagens carismáticos e uma trilha sonora absurda, apresentada de um jeito bem estiloso e diegético.
Quando Mixtape acerta, ele acerta bonito. As sequências mais viajadas — como passeios por parques abandonados, fugas em transe e momentos em que a realidade parece desandar — transformam a nostalgia em algo quase mágico. A direção de arte também segura a onda e dá vida a esse retrato romantizado da juventude.
O problema é que, como videogame, Mixtape nem sempre entrega o mesmo brilho. Entre caminhadas, interações simples, minigames e trechos de skate com controles meio travados, a experiência às vezes parece mais interessada em te lembrar que você está jogando do que em usar a interatividade para aprofundar a narrativa.
Em alguns momentos, isso até funciona. Em outros, quebra o ritmo e tira um pouco da imersão. O resultado é uma aventura curta, charmosa e muito bem escrita, mas que poderia confiar mais na força do que está contando e menos em mecânicas que nem sempre agregam.
Se você curte uma viagem nostálgica com clima de coming-of-age, personagens bem construídos e uma trilha impecável, Mixtape merece atenção. Agora, se você procura um jogo que use a jogabilidade como parte essencial da emoção, ele pode ficar devendo um pouco.
Directive 8020 leva a Supermassive Games para o espaço e acerta em cheio ao trocar o terror clássico por um sci-fi sujo, tenso e cheio de escolhas que realmente pesam.
A bordo da nave Cassiopeia, a tripulação parte rumo a Tau Ceti f para abrir caminho para uma nova colonização, mas tudo desanda quando uma entidade shapeshifter começa a caçar o grupo. O grande diferencial aqui é o sistema Turning Point, que permite voltar em momentos-chave, desfazer vacilos e explorar ramificações sem precisar recomeçar tudo do zero.
- Modo survivor para quem quer viver cada erro sem segunda chance;
- Turning Points para corrigir decisões, destravar cenas extras e testar rotas diferentes;
- 44 cenas de morte, com body horror nojento e caprichado na medida certa.
O mais interessante é como Directive 8020 usa essa estrutura para dar mais peso à narrativa. Brianna Young, Samantha Cooper e o restante da equipe vão ganhando camadas a cada nova run, enquanto gravações, notas e diários espalhados pela nave ajudam a montar o quebra-cabeça da história.
No fim, o jogo transforma replay em parte central da experiência: primeiro vem o choque, depois a vontade de voltar e ver tudo o que ficou escondido. Para quem curte terror narrativo, tensão de QTE e gore de respeito, Directive 8020 parece ser um dos passos mais seguros e confiantes da Supermassive em anos.
Se você quer cair no mundo de Outbound com a tropa, tem um detalhe importante: o co-op não libera de cara. Primeiro, você precisa passar pelo tutorial e sair do primeiro ponto de acampamento. A boa notícia é que isso leva poucos minutos.
Depois de cumprir o básico, siga estes passos para abrir o multiplayer:
- Dirija até a área de camping e pare o camper van.
- Abra a parte de trás do veículo para montar o acampamento.
- Saqueie os itens do baú, acenda a fogueira e baixe os planos de ferramentas básicas no terminal.
- Junte o sucata, use a bancada do van e crie a Wrench I para abrir a barreira da frente.
Com o portão destravado, o jogo libera um aviso para convidar a galera. A partir daí, quem estiver host só precisa apertar Tab, clicar no ícone de multiplayer e compartilhar o código da sessão com até três amigos. Os outros entram pelo menu Join Friend.
Na parte da progressão, vale o alerta: em Outbound, o avanço fica preso ao save, e não ao personagem. Ou seja, o que você desbloquear numa sessão vai ficar salvo naquele mundo. Se você entrar no save de outra pessoa, vai criar um personagem novo. A boa notícia é que ferramentas e receitas são compartilhadas dentro da mesma campanha, então a party inteira aproveita os desbloqueios.
Alerta de spoilers de Mortal Kombat 2.
Se o primeiro Mortal Kombat de 2021 já parecia um festival de decisões ruins, a sequência corrige o rumo logo de cara ao tirar Cole Young do centro da história. O personagem original, criado só para o filme, mal aparece por aqui e acaba virando só um nome jogado ao fundo antes de ser eliminado de vez por Shao Kahn no palco do Dead Pool.
E, sinceramente? Isso faz bem para o filme. Com Cole fora da jogada, Mortal Kombat 2 finalmente coloca o holofote nos personagens que a galera realmente quer ver: Johnny Cage e Kitana. Karl Urban entrega um Cage sarcástico e carismático, enquanto Adeline Rudolph manda muito bem como a princesa que domina os fan blades. Ainda assim, Liu Kang continua subaproveitado, e Kano volta do limbo para seguir sendo irritante, mesmo que agora esteja um pouco mais contido.
Apesar disso, a dinâmica entre os personagens rende momentos genuinamente divertidos, incluindo uma cena ótima contra Baraka. Não, Mortal Kombat 2 não é a melhor adaptação de videogame já feita e ainda cai no território do “meio termo”, mas é bem superior ao primeiro filme. O final ainda deixa gancho para uma possível continuação, e dá a sensação de que o estúdio finalmente entendeu onde acertar o fatality.
Se você ainda sente falta da lendária roda de persuasão de Oblivion, o Wheeljam 2 nasceu justamente para isso: desafiar a comunidade a criar, em tempo recorde, experiências jogáveis que tragam o mini-game de lockpicking ou a wheel de convencimento de algum jeito.
A segunda edição do evento fechou com 40 submissões, e boa parte delas já pode ser testada direto no navegador. Como manda a tradição dos jams mais caóticos, tem muita coisa estranha, torta e deliciosamente difícil de explicar — o tipo de bagunça que só quem viveu a era dos mini-games esquisitos entende de verdade.
Entre os destaques, um dos favoritos é A Contrario, que troca o combate por uma seleção de estações numa vibe vaporwave. Também vale ficar de olho em Wheelfox 64 e The Wolf Of Wheel Street, que seguem a mesma linha de criatividade sem freio.
A votação ainda fica aberta por mais alguns dias, mas os jogos continuam jogáveis depois disso. Então, se você curte Oblivion e esse tipo de gambiarra genial de game design, já pode cair dentro e descobrir suas pérolas favoritas.
Drawquarium é um sandbox bem diferente no PC: em vez de só organizar um aquário, você literalmente desenha peixes e plantas para montar um tanque chamativo e fisgar a clientela. A demo já dá um gostinho dessa bagunça criativa.
No começo, a seleção de formas base é pequena, mas o charme está em customizar cada peixe do seu jeito. Dá para brincar com cores, traços e estilos, deixando o aquário com a sua assinatura — mesmo que o resultado final fique meio torto, o visual coletivo compensa.
Depois de montar o ecossistema, entra a parte de cuidar da tropa: manter o tanque bonito e alimentar os peixes quando a fome bater. Quanto melhor o capricho, mais eles evoluem visualmente, ganhando um brilho holográfico e, em situações especiais, até um visual dourado.
O jogo ainda vai receber mais conteúdo em breve, embora ainda sem data de lançamento anunciada, com:
- mais decoração para o aquário
- novos temas
- fundos personalizados
Se você curte experiências relax, sandbox criativo e aquela vibe de faz do seu jeito, Drawquarium merece entrar na sua lista de desejos.
Um dos responsáveis criativos de Kingdom Come: Deliverance 2 contou que uma história curiosa do primeiro jogo ajudou a equipe a cravar o caminho da franquia: deixar o mundo medieval tão sistêmico que o jogador começa a acreditar que tudo ali pode virar uma grande confusão orgânica.
O caso clássico foi a famosa “saga das botas”. Um jogador percebeu que o protagonista estava sem os calçados, achou que alguém tinha roubado o item e saiu vasculhando o castelo como se fosse uma missão escondida. Na real, as botas só tinham desaparecido do cenário, mas a reação mostrou exatamente o efeito que o estúdio queria: um mundo vivo, imprevisível e cheio de histórias emergentes.
Para a equipe, esse tipo de situação foi a prova de que vale a pena investir em sistemas complexos, mesmo com todo o trampo para deixar a parada redonda e sem bugs. A comunidade começou a criar teorias e lembrar de encontros que pareciam eventos roteirizados, mas que na verdade tinham nascido da própria simulação.
Em Kingdom Come: Deliverance 2, essa filosofia foi levada ainda mais longe. Agora, se Henry apagar de bêbado, os NPCs podem roubar os sapatos e o boné dele — e até sair usando os itens. É o tipo de caos controlado que faz cada sessão render causos únicos e reforça a pegada sandbox da série.
Forza Horizon 6 já chegou chutando a porta no Steam antes mesmo do lançamento oficial. O novo racer da franquia vem segurando espaço entre os mais vendidos da loja e mostra que a comunidade de PC entrou de cabeça no hype.
Entre os atrativos da pré-venda, o jogo oferece um carro bônus e a edição Premium libera acesso antecipado e os DLCs futuros. Mas o que mais chama atenção é a força do nome Forza Horizon 6: mesmo sendo muito parecido com os capítulos anteriores, o game segue como uma das poucas corridas capazes de furar a bolha e aparecer no topo das vendas.
O curioso é que jogos de corrida raramente ficam muito tempo no centro da conversa. Mesmo quando um lançamento embala, outros gêneros costumam roubar os holofotes. Ainda assim, Forza Horizon 6 continua sendo o grande nome do gênero no PC, agora com uma proposta ambientada no Japão e cheia de espaço para drift, velocidade e cenas prontas para clipar.
- Forza Horizon 6 está entre os jogos mais vendidos do Steam antes da estreia
- A pré-venda traz bônus e acesso antecipado para quem quer entrar mais cedo na pista
- Racers seguem sendo exceção no topo das vendas, e a franquia continua mandando no pedaço